08 de novembro de 2018, 20h08

Militares querem trocar com Bolsonaro reajuste salarial por mudanças na Previdência

A medida, caso seja aprovada pelo novo governo, provocará reajustes em cascata das remunerações na hierarquia militar

A proximidade de Jair Bolsonaro com os militares, mesmo antes da posse, começa a surtir efeito. A cúpula das Forças Armadas entregou ao capitão da reserva uma proposta de reforma da Previdência dos militares associada a um aumento dos salários dos generais de patente mais alta. A medida provocaria reajustes em cascata das remunerações na hierarquia militar, de acordo com Vinicius Sassine, de O Globo.

A ideia foi apresentada a Bolsonaro e a Paulo Guedes, futuro ministro da Economia, durante compromisso do capitão da reserva no Ministério da Defesa e nos comandos das Forças Armadas. Os militares sinalizaram que aprovariam as mudanças na Previdência, desde que sejam reajustados os salários dos generais.

O projeto de reforma da Previdência militar, encaminhada a Bolsonaro e Guedes, atende aos seguintes pontos: 1) ampliação do prazo de permanência dos militares na ativa — e, portanto, de contribuição — de 30 para 35 anos; 2) idade mínima para aposentadoria de 55 anos, para homens e mulheres; e 3) contribuição a ser paga também por cabos, soldados, alunos das escolas de formação militar e pensionistas. Em contrapartida, a cúpula das Forças solicita a especificação de aumento de salários aos generais de mais alto posto, com equiparação à remuneração de um ministro do Superior Tribunal Militar (STM).

Comparação

O salário de um ministro do STM é R$ 32 mil. No Supremo Tribunal Federal (STF), um ministro ganha R$ 33,7 mil, valor reajustado nesta quarta-feira (7) para R$ 39,2 mil. Um general da mais alta patente, por sua vez, recebe, em média, R$ 26 mil.