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06 de junho de 2014, 18h06

Ministro do STF manda investigar deputado tucano por cartel de trens

De acordo com o ministro Marco Aurélio Mello, depoimentos dos delatores levam a crer que há participação do deputado José Aníbal no esquema de cartel dos trens de SP; parlamentar nega

De acordo com o ministro Marco Aurélio Mello, depoimentos dos delatores levam a crer que há participação do deputado José Aníbal no esquema de cartel dos trens de SP; parlamentar nega 

Por Redação 

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou à Polícia Federal que tome depoimentos dos delatores do cartel metroferroviário de São Paulo, Everton Reinheimer e Jean Malte Orthman, ex-executivos da Siemens. Além disso, Mello determinou que, a partir de agora, contem como “investigados apenas aqueles que têm a prerrogativa de serem julgados pelo Supremo, vale dizer, os deputados federais José Anibal Peres de Pontes e Rodrigo Garcia”.

De acordo com Marco Aurélio Mello, “vê-se que nas declarações (de um dos delatores) há indícios do envolvimento dos requerentes Rodrigo Garcia e José Anibal”. Mello, porém, diz que ainda “é muito cedo” para se afirmar a participação ou não dos parlamentares tucanos, mas afirma que é necessário que se aprofundem as investigações mediante o depoimento de um dos delatores.

Nos autos da investigação, Reinheimer é nomeado como testemunha X. e Orthman como Y. De acordo com os documentos, Reinheimer, em depoimento anterior à Polícia Federal, declarou os nomes dos parlamentares que estariam envolvidos no cartel formado pelas multinacionais para ganhar os contratos da CPTM e do Metrô durante as gestões Mario Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, todos do PSDB, que governa o Estado de São Paulo desde 1995.

Os parlamentares citados são: Rodrigo Garcia (DEM-SP), que foi secretário de Desenvolvimento Econômico do governo Geraldo Alckmin (PSDB) até abril deste ano; José Anibal (PSDB), que era secretário de Energia e hoje exerce mandato de deputado federal pelo Estado de São Paulo.

No despacho, que foi realizado nesta segunda-feira (2), o ministro Mello excluiu da investigação do Supremo Tribunal Federal o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) e o deputado Arnaldo Jardim (PPS). O magistrado entende que não há indícios suficientes a respeito da participação deles no cartel. Foi determinado o depoimento de Mário Bandeira, presidente da CPTM; de Antonio Kanji Hoshikawa, ex-presidente da CPTM; Silvio Ranciaro, parceiro político de Aníbal; e do ex-secretário de Transportes do Estado de São Paulo Jorge Fagali Neto.

Ao jornal “Folha de S.Paulo”, o deputado José Aníbal declarou que está disposto a abrir “vinte anos de sua conta bancária” e de seu imposto de renda para desmentir as acusações. Aníbal afirmou, também, que as acusações fazem parte de uma “estratégia eleitoral do PT”.