03 de novembro de 2018, 09h36

Miriam Leitão diz que diplomatas já recebem alertas de retaliação dos países árabes

Mudança da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém pode levar o Brasil a perder investimentos árabes; hoje o Oriente Médio compra 5,3% de todo o valor exportado pelo Brasil, especialmente carnes

A jornalista e analista de economia Miriam Leitão afirmou, em seu blog n’O Globo, que “diplomatas brasileiros voltaram a receber alertas de colegas árabes sobre a intenção do novo governo de transferir a embaixada em Israel de Tel Aviv para Jerusalém”. O novo presidente eleito Jair Bolsonaro vem defendendo a mudança de endereço. Nesta semana,  o militar da reserva disse ao jornal Israel Hayom que “Israel é um Estado soberano. Vocês decidem que é sua capital e nós vamos segui-los”.

De acordo com Miriam, “o país sofrerá retaliação comercial dos parceiros caso confirme a transferência”. Ela ainda informa que “o Oriente Médio compra 5,3% de todo o valor exportado pelo Brasil, especialmente carnes. Nos últimos 12 meses, o país embarcou US$ 11,6 bilhões para os países da região”. Já Israel, tem uma participação bem modesta, “foram de apenas US$ 256 milhões, ou 0,14% do total”.

O presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Rubens Hannun, também alertou sobre a perda de investimentos. Segundo ele, a mudança da embaixada pode abrir as portas para países concorrentes do Brasil no setor de proteína animal, como Turquia, Austrália e Argentina. “Já tivemos ruídos com a [Operação] Carne Fraca e com a paralisação dos caminhoneiros, mas conseguimos superar. Temos a fidelidade dos países árabes”, destacou Hannun à Folha de S. Paulo. Ele chamou atenção ainda que investimentos árabes em infraestrutura também seriam impactados.

Os Estados Unidos transferiram sua embaixada para Jerusalém em maio deste ano, sob protestos. A decisão de Donald Trump foi criticada pela comunidade internacional por prejudicar os acordos de paz na região. Palestinos reivindicam parte da cidade, Jerusalém Oriental, como sua capital, enquanto Israel, aliado aos Estados Unidos, considera toda Jerusalém como sua. Israel ocupa Jerusalém Oriental desde a guerra de 1967 e posteriormente a anexou, ato nunca reconhecido pela comunidade internacional. Até que um acordo seja estabelecido, nenhuma embaixada deveria mudar para a cidade.