Raimundo Bonfim

20 de fevereiro de 2019, 00h42

Momento político exige unidade dos movimentos sociais

Raimundo Bonfim diz: “Sem organização de base sólida, sem formação e politização do povo, sem lutas de massas não conseguiremos barrar os retrocessos nos próximos meses e nem acumular forças para conquistar avanços sociais a médio prazo”

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O capitalismo, em escala mundial, atravessa uma das maiores crises de sua história. Há um aprofundamento de suas contradições internas. O sistema também age em escala planetária para manter ou aumentar as taxas de lucro. Para tanto, derruba governos progressistas com as mais variadas formas de golpes, apropria-se de recursos naturais, do patrimônio público, reduz o orçamento das políticas sociais e ataca a democracia e a soberania dos países, como o que vem acontecendo na América Latina. Nesse momento, os EUA se preparam para invadir a Venezuela – que bravamente resiste ao golpe.

No Brasil continua um intenso processo de perseguição política ao ex-presidente Lula (com mais uma condenação sem crime e sem prova), aos movimentos sociais, à esquerda, tendo o PT como alvo principal a ser aniquilado.

Não há dúvida de que o país está sob a égide das forças do capital, subalterno aos interesses dos EUA. Trata-se de um governo neoliberal radical, autoritário e com forte viés fascista.

O Estado, compreendendo todas as suas instituições, está totalmente controlado pelas forças do capital internacional e nacional. O que pretendem essas forças é impor ao povo brasileiro medidas para manter ou aumentar a taxa de lucro do capital, tais como: destruir a Previdência pública e permitir que os fundos de pensão privados e ligados aos bancos explorem as trabalhadoras e os trabalhadores; radicalizar o processo de privatização de empresas públicas; promover a apropriação de recursos naturais como o pré-sal, minério, água, energia, terra; congelar por vinte anos os investimentos nas áreas de Educação, Saúde e Assistência Social. Medidas como essas levarão, inexoravelmente, ao aumento da desindustrialização, à dependência externa, à financeirização, à precarização do trabalho, à desigualdade social e à pobreza.

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No campo das políticas sociais e da participação popular, o governo tentará acabar ou enfraquecer políticas de geração de emprego, educação, habitação, saúde, saneamento, programas destinados às mulheres, à juventude, às populações negra e indígenas, comunidades tradicionais, quilombolas, LGBTI, reduzindo drasticamente o orçamento e eliminando os instrumentos de participação institucional, como os conselhos e as conferências.

Para enfrentarmos esse momento de tentativa de um brutal avanço do capital sobre as trabalhadoras e os trabalhadores, é fundamental traçarmos nossas ações e lutas de resistência, tanto do ponto de vista organizativo como político, a partir da unidade das esquerdas, especialmente dos movimentos sociais.

Na questão organizativa precisamos jogar todo peso no fortalecimento da organização de base, reforçando a consolidação das organizações existentes, bem como criando novas, que combinem suas experiências dos movimentos sociais, chamados de tradicionais, com iniciativas mais dinâmicas e horizontais que têm surgido mais recentemente nas periferias das cidades, especialmente, no campo da cultura, juventude e igualdade racial. É preciso um equilíbrio entre essas duas formas de organização.

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Para além do fortalecimento da organização de base, é inevitável e urgente voltar a investir na formação política das massas, além de desenvolver novas metodologias do trabalho de base e educação popular, com o objetivo de elevar o patamar de conscientização e politização do povo e envolvê-lo na luta política e social.

Os processos de organização de base, formação e educação popular, isolados das articulações mais gerais, terão enorme dificuldade de mobilização e resistência ao gigantesco retrocesso político, econômico, social, cultural e ambiental. É indispensável uma unidade dos movimentos sociais que atuam em caráter geral. Por isso, estamos atuando e apostando na unidade das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo – espaços com maior representatividade e capilaridade que os movimentos sociais construíram no país nos últimos anos, no bojo da resistência contra o golpe que derrubou a presidenta Dilma, na luta pela democracia e contra a retirada de direito. Vale ressaltar que essas frentes estiveram unidas no segundo turno das eleições em apoio à candidatura de Fernando Haddad à Presidência da República.

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Nenhum partido político, nenhuma frente, nenhum movimento ou entidade, só, consegue barrar o tsunami que as forças do capital, por intermédio do governo Bolsonaro, preparam para cima das trabalhadoras e dos trabalhadores.

Sem organização de base sólida, sem formação e politização do povo, sem lutas de massas não conseguiremos barrar os retrocessos nos próximos meses e nem acumular forças para conquistar avanços sociais a médio prazo.

O momento exige unidade dos movimentos sociais para, nesse primeiro semestre de 2019, dar conta das tarefas mais importantes dos últimos anos, que são fazer um amplo debate de esclarecimento e envolver milhões de pessoas nas mobilizações para libertar Lula do cárcere em Curitiba, além de impedir o desmonte da Previdência pública, pois se for aprovado será o maior ataque ao povo brasileiro da história da Nova República.

PS: Gustavo Bebianno foi a primeira laranja a cair. Terá efeito dominó até cair todas do laranjal?

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