Imprensa livre e independente
25 de janeiro de 2013, 00h05

Moradores cobram Estado sobre chacinas e ação de grupos de extermínio

Audiência pública é realizada no Capão Redondo, zona Sul de São Paulo, onde chacina matou sete pessoas em 4 de janeiro

Por Bruno Bocchini, da Agência Brasil São Paulo – Em audiência pública nesta quinta (24) no bairro do Capão Redondo, na Zona Sul da capital paulista, moradores cobraram providências do poder público para as recorrentes chacinas e a atuação de grupos de extermínio na periferia da cidade. No dia 4, sete pessoas foram mortas em um crime no Capão Redondo. Audiência pública nesta quinta (24) debate violência nas periferias de São Paulo (Foto: Marcelo Camargo/ABr) Francisco José Carvalho Magalhães, pai do estudante Pedro Thiago de Souza Magalhães, executado no Campo Limpo – bairro vizinho do Capão Redondo – aos  20...

Por Bruno Bocchini, da Agência Brasil

São Paulo – Em audiência pública nesta quinta (24) no bairro do Capão Redondo, na Zona Sul da capital paulista, moradores cobraram providências do poder público para as recorrentes chacinas e a atuação de grupos de extermínio na periferia da cidade. No dia 4, sete pessoas foram mortas em um crime no Capão Redondo.

Audiência pública nesta quinta (24) debate violência nas periferias de São Paulo (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

Francisco José Carvalho Magalhães, pai do estudante Pedro Thiago de Souza Magalhães, executado no Campo Limpo – bairro vizinho do Capão Redondo – aos  20 anos por um grupo de extermínio em 14 de outubro de 2012, pediu apuração sobre o caso, ainda sem solução. “Ninguém sabe falar nada. Recolheram o corpo do local rapidamente e ninguém nunca me deu explicação. Cheguei na delegacia, o boletim de ocorrência já estava feito. Ele foi morto com armas exclusivas das Forças Armadas”, disse.

Magalhães diz que, em um domingo, seu filho, que cursava administração de empresas no Centro Universitário Anhanguera, em São Paulo, saiu de casa ao meio-dia para  fazer um trabalho da faculdade. “Ele saiu de casa falando que ia pegar o pen drive. Quando deu três horas, me ligaram que ele tinha sido alvejado a bala”. Pedro foi morto com nove tiros, sete dados pelas costas. No boletim de ocorrência consta apenas que quatro pessoas desceram de um carro prata e dispararam contra o rapaz.

Veja também:  "Isso é corrupção", diz Greenwald sobre proteção de Moro a FHC

Depois da morte de Pedro, a região foi palco de uma chacina que deixou sete mortos no último dia 4. O crime, que ocorreu no Capão Redondo, está sendo investigada pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e pela Corregedoria da Polícia Militar, órgão que apura desvios de conduta de membros da corporação.

A Secretaria de Segurança Pública descartou que uma das vítimas da chacina seria o cinegrafista amador que fez imagens de uma ação policial no mesmo bairro, ocorrida em novembro do ano passado e que resultou na morte de um servente de pedreiro. As imagens mostram que um policial militar dispara contra um homem mesmo depois de ele estar rendido.

“O que aconteceu lá foi uma retaliação aos trabalhadores. Todo mundo sabe que dentro da polícia existe um grupo de extermínio, isso aí está na cara, não tem mais como esconder de ninguém. Aquela gravação foi para a mídia, vieram dar o troco”, disse Doraci Mariano, presidente da Associação Joacris, presente na audiência.

Veja também:  FórumCast #04 | Vaza Jato: Moro e Dallagnol provam de seu próprio veneno

“Hoje, a polícia é motivo de medo. As crianças veem um carro e já correm. Na verdade, eles [os policiais] acham que da ponte [que dá acesso da Marginal Pinheiros ao bairro do Campo Limpo] para cá todo mundo é bandido. A abordagem é diferente. É com arma na cabeça, o cara pára você e fala: você pensa que está onde, no Jardins? [bairro nobre de São Paulo]”, acrescenta Mariano.

Além das denúncias, os moradores pediram na audiência pública uma maior presença de políticas públicas na região, ligadas a cultura e a cidadania. “As reivindicações vão desde Bolsa Família para as vítimas da violência, que já estão passando necessidade, a trazer para cá os programas sociais de esporte, lazer e cultura para a garotada, para as pessoas que estão à margem, trazer projetos sociais que a gente não conhece”, disse Paulo Roberto Clemente da Silva, da organização não governamental Capão Cidadão.

Convidados a participar da audiência, o secretário municipal de Direitos Humanos e Cidadania, Rogério Sotilli, e o secretário municipal da Igualdade Racial, Netinho de Paula, estiveram presentes. “Viemos aqui para aprender com essa comunidade, valorizar o que ela tem a dizer, valorizar sua expressão política, social e cultural. Nós estamos nos abrindo para aprender”, disse Sotilli.

Veja também:  FórumCast #05 - O crescimento e o poder das milícias

Procurada, a Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo disse que o secretário da pasta, Fernando Grella, iria se manifestar sobre as cobranças dos moradores em entrevista coletiva na noite desta quinta.

Leia também:
Ativista culpa Alckmin por chacinas nas periferias de SP
Chacinas em São Paulo: A naturalização do horror
Mapa da violência aponta crescimento de homicídios de jovens negros

 

Você pode fazer o jornalismo da Fórum ser cada vez melhor

A Fórum nunca foi tão lida como atualmente. Ao mesmo tempo nunca publicou tanto conteúdo original e trabalhou com tantos colaboradores e colunistas. Ou seja, nossos recordes mensais de audiência são frutos de um enorme esforço para fazer um jornalismo posicionado a favor dos direitos, da democracia e dos movimentos sociais, mas que não seja panfletário e de baixa qualidade. Prezamos nossa credibilidade. Mesmo com todo esse sucesso não estamos satisfeitos.

Queremos melhorar nossa qualidade editorial e alcançar cada vez mais gente. Para isso precisamos de um número maior de sócios, que é a forma que encontramos para bancar parte do nosso projeto. Sócios já recebem uma newsletter exclusiva todas as manhãs e em julho terão uma área exclusiva.

Fique sócio e faça parte desta caminhada para que ela se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie a Fórum