14 de junho de 2018, 21h38

Moro anulou depoimento de réu que cita Beto Richa (PSDB) antes de abrir mão do processo

Moro abriu mão de julgar um processo da Lava Jato que envolve o pagamento de propina ao governo do Paraná sob a alegação de estar "sobrecarregado". Antes de sair de cena, no entanto, anulou o depoimento de Carlos Nasser, ex-assessor da Casa Civil do governo de Beto Richa (PSDB) em que citava o ex-governador; "Sérgio Moro é um juiz fora da lei", criticou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP)

O juiz Sérgio Moro. Foto: Lula Marques

Nesta semana, pela primeira vez, um juiz da Lava Jato – Sérgio Moro – abriu mão de conduzir um processo que envolve corrupção e pagamentos de propina. Trata-se da da ação penal relativa à 48ª fase da operação, que investiga o pagamento de propina pelo Grupo Triunfo, acionista da concessionária Econorte, a diretores do Departamento de Estradas e Rodagem do Paraná e a Carlos Nasser, ex-assessor da Casa Civil do governo de Beto Richa (PSDB).

Ao redirecionar o processo à 23ª Vara Federal de Curitiba, Moro argumentou que o caso não está relacionado à Petrobras e que estava “sobrecarregado”.

Antes de sair de cena, no entanto, o juiz de Curitiba anulou o depoimento de Carlos Nasser obtido pelo Ministério Público Federal no dia 18 de dezembro de 2017 que citava o ex-governador Beto Richa. A denúncia é do Paraná Portal.

De acordo com o site, o juiz de Curitiba  anulou o depoimento por verificar “possível problema de validade, pois não foram, aparentemente, pelo menos isso não consta na degravação, tomadas as cautelas próprias para advertir o investigado de seus direitos, entre eles o de permanecer em silêncio e o de assistência a um advogado prévia e durante o interrogatório, ainda que este tenha ocorrido em sua residência”.

No depoimento anulado, Nasser, que é réu no processo, fez uma relação direta entre o ex-governador Beto Richa e os supostos pagamentos de propina. Ele declarou que trabalhava na Casa Civil com uma função de assessoramento ao então governador tucano e que, se recebeu algum dinheiro da Triunfo em sua conta, foram recursos para campanhas políticas.

“Correligionário”

Em vídeo ao vivo divulgado pelo Facebook, o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) comentou a informação de que Moro anulou o depoimento de Nasser antes de abrir mão do processo. De acordo com Teixeira, Moro “blinda” políticos do PSDB paranaense devido às relações de amizade e familiares que o juiz de Curitiba manteria com o partido.

“Todo mundo sabe das relações de Sérgio Moro com o PSDB do Paraná. Relações familiares e de amizade. Essa Justiça não é para todos”, afirmou, chamando Moro de “correligionário” de Beto Richa, já que seu pai é um dos fundadores do PSDB do estado.

“Exigimos a apuração e a punição deste juiz caso esta denúncia se confirme”, completou.

Confira a íntegra do comentário do parlamentar.