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16 de abril de 2019, 16h55

“Motivação viciada”, diz Chinaglia sobre saída do Brasil da Unasul

Apesar dos ideologismos equivocados do governo Bolsonaro, o deputado acredita que resultados amplamente favoráveis ao Brasil podem preservar o Mercosul

Chinaglia é membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara
Membro da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara Federal, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) reagiu à saída do Brasil da União de Nações Sul-Americanas, a Unasul. “É completamente viciada; uma articulação da direita da América do Sul, achando que aquilo é coisa da Venezuela. Não é. É de interesses múltiplos”. Para o petista, “o simbolismo ideológico” tem orientado Bolsonaro, que anunciou o abandono da organização pelo Twitter. A visão que associa qualquer tipo de integração à esquerda, segundo Chinaglia, é reforçada pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo – “mais próximo da Lua do que qualquer...

Membro da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara Federal, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) reagiu à saída do Brasil da União de Nações Sul-Americanas, a Unasul.

É completamente viciada; uma articulação da direita da América do Sul, achando que aquilo é coisa da Venezuela. Não é. É de interesses múltiplos”.

Para o petista, “o simbolismo ideológico” tem orientado Bolsonaro, que anunciou o abandono da organização pelo Twitter.

A visão que associa qualquer tipo de integração à esquerda, segundo Chinaglia, é reforçada pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo – “mais próximo da Lua do que qualquer foguete”.

O deputado observa, no entanto, que a Unasul, embora consolidada no governo, começou a ser concebida ainda na passagem de Itamar Franco pelo Palácio do Planalto, para pensar questões ligadas à defesa do Bloco do Sul, articulando, inclusive, as Forças Armadas, além de discutir questões ligadas à Saúde e às experiências eleitorais na América Latina.

“Como qualquer organismo multilateral demandou tempo, esforços e ajustes”, pontua à Fórum.

Sem perspectivas

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Embora reconheça a existência de “déficits” na Unasul, Chinaglia ressalta que a política externa sinalizada pelo governo Bolsonaro em nada aponta para perspectivas de avanços em situações já conhecidas pela organização.

“Fazem uma articulação de natureza política, ideológica, sem nenhuma garantia de que vai melhorar”, afirma.

O deputado do PT refere-se, inclusive, à mobilização de países latino-americanos que estão sob o comando de políticos de direita, visando a criação do Prosur, um novo bloco de países, com adesões da Argentina, Chile, Peru, Paraguai, Equador, Colômbia e Guiana.

“O Bolsonaro parece esquecer que os governos mudam”, critica Arlindo Chinaglia.

Mercosul em risco?
O deputado pondera que o gesto de Bolsonaro pode se limitar a uma estratégia de tentar pautar a opinião pública – desviando a atenção de outros pontos ainda mais críticos de seu governo.

Chinaglia, porém, demonstra apostar no bom senso ao ponderar que a saída da Unasul representa riscos concretos ao Mercosul.

“Percebo uma divisão [dentro da direita] porque os números do Mercosul são amplamente favoráveis ao Brasil. Cerca de 80% da nossa exportação para o bloco é de manufaturados [em contraponto ao predomínio dos comodities vendidos para o resto do mundo]. Não é por acaso. É fruto de um trabalho diplomático”, diz.

O parlamentar lembra que mesmo críticos ao Mercosul do PSDB, como José Serra, não tomaram providências para enfraquecer as relações comerciais do bloco, em razão do quadro.

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