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13 de julho de 2007, 16h28

Movimentos pedem investigação federal do assassinato de líder guarani-kaiowá

Uma articulação de movimentos sociais do Mato Grosso do Sul, entre eles o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), entregou hoje (13) uma representação ao Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul

Por Luana Lourenço,  Agência Brasil 

Uma articulação de movimentos sociais do Mato Grosso do Sul, entre eles o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), entregou hoje (13) uma representação ao Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul para que o assassinato do líder indígena guarani-kaiowá Ortiz Lopes, morto no último domingo, seja investigado pela Polícia Federal e não por autoridades locais.

Segundo o representante do Cimi, Egon Heck, a representação levada ao MPF é baseada em depoimentos de Marluce Lopes, viúva de Ortiz, e de outros líderes guarani-kaiowá, que relacionam a morte do índio a sua atuação na luta pela terra indígena Kurusu Amba. A área corresponde à fazenda Madama, entre os municípios de Coronel Sapucaia e Amambai, na região da fronteira com o Paraguai, e é motivo de disputa entre índios e fazendeiros.

De acordo com o procurador do MPF em Dourados Charles Pessoa, se a análise da representação indicar a relação do assassinato de Lopes com a disputa pela terra, a investigação passará para competência federal. “Quando há violação do direito dos índios sobre as terras que ocupam, a Constituição Federal é desrespeitada e demanda atuação de autoridades federais”, explica.

Por enquanto, o caso está sob a responsabilidade da Polícia Civil do município de Coronel Sapucaia, que abriu inquérito para investigar o assassinato e começou a ouvir as testemunhas na última quinta-feira.

De acordo com o delegado Claudinei Galinari, a indicação dos motivos do crime e de possíveis suspeitos só será feita após tomada de mais depoimentos e realização de levantamento em cidades onde o líder guarani-kaiowá morou recentemente.

Galinari adiantou que a Polícia Civil pretende trabalhar com diversas linhas de investigação e não descartará a hipótese de crime cometido a mando de fazendeiros da região pela disputa das terras.

Para o representante do Cimi, a Polícia Civil não é a autoridade mais indicada para investigar o assassinato de Lopes. “Existe um clima antiindígena articulado pelo poder político-econômico da região, e isso pode comprometer a atuação da polícia local. A Polícia Federal tem mais isenção, mais objetividade para apurar o caso, chegar aos responsáveis e punir os culpados”, afirma.

Heck teme que o assassinato de mais líder guarani-kaiowá cause o agravamento da violência entre índios e fazendeiros da região. “A comunidade está fragilizada, o clima está muito tenso, alguns índios nos disseram que estão desacreditados da Justiça. Estamos preocupados com o que pode acontecer daqui para a frente.”

Em janeiro, a líder espiritual Zulita Lopes foi morta na mesa região durante a ocupação forçada da área. De acordo com a Polícia Federal de Ponta Porã, responsável pelo caso, até hoje o inquérito não foi enviado à Justiça porque a investigação ainda está em andamento.

Além do Cimi, o pedido de investigação federal é endossado por entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT).