14 de junho de 2014, 13h19

MP defende liberdade de imprensa após prisão de ativista em BH

Karinny de Magalhães, integrante da Mídia Ninja, foi presa quando transmitia manifestação contra a Copa do Mundo. A repórter foi liberada na noite de ontem (13)

Karinny de Magalhães, integrante da Mídia Ninja, foi presa quando transmitia manifestação contra a Copa do Mundo. A repórter foi liberada na noite de ontem (13)

Por Redação. Com informações da Agência Brasil e Mídia Ninja

Karinny de Magalhães, integrante da Mídia Ninja, e outros dois ativistas foram liberados na noite de ontem (13) após passarem um dia na prisão. Eles foram detidos na manifestação contra a Copa do Mundo em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. Após a prisão da repórter, o Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) defendeu a liberdade de imprensa.

Por meio da Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos, Apoio Comunitário e Controle Externo da Atividade Policial, o MP expediu recomendação para as forças de segurança do estado a fim de que “sejam tomadas medidas para garantir o direito de ir, vir e permanecer e o livre exercício da profissão dos repórteres e jornalistas que estejam cobrindo qualquer evento, especialmente no contexto de possíveis manifestações, independentemente de estarem credenciados ou vinculados a empresas jornalísticas”.

Na recomendação, que foi enviada aos comandantes do policiamento especializado, do policiamento da capital e do Batalhão Copa, o MP argumenta que, desde a ocorrência dos protestos na Copa das Confederações, “vários foram os relatos de ações repressivas e violentas das forças policiais contra os comunicadores que cobriam os protestos, cerceando o exercício legítimo da profissão e o direito da população de ter acesso à informação”.

A Mídia Ninja relata que Karinny foi uma das vítimas dessas ações repressivas e violentas. O grupo de midiativismo denunciou que “policiais, homens, deram vários socos na cara dela, chutes na barriga, simplesmente porque estava fazendo a cobertura dos protestos, exercendo seu direito de fiscalizar esses verdadeiros bandidos”.

Além do MP, a Defensoria Pública, Advogados Ativistas, OAB, Anistia Internacional, Secretaria Geral da Presidência, deputados, senadores, Comissão de Direitos Humanos da Câmara e do Senado repudiaram a prisão dos ativistas.

Irregularidades

De acordo com Fernanda Vieira, advogada de Karinny, antes de a Copa do Mundo começar, advogados que acompanham movimentos sociais e a Defensoria Pública reuniram-se com os órgãos de segurança para acordar sobre a ação das forças policiais nas manifestações. Ficou acertado, por exemplo, que todas as pessoas presas deveriam ser encaminhadas para uma única delegacia, com um plantão de defensores e advogados.

“No caso da Karinny e de outras pessoas, essa pactuação foi descumprida. Ao invés de ela ser levada para a Delegacia de Polícia Civil Alípio de Melo, ela foi encaminhada junto com outras pessoas que foram presas para uma outra delegacia de polícia. Depois, foi para o Centro Integrado da Infância e Juventude, pois tinha uma menina menor também detida. Só algumas horas depois, elas chegaram à Alípio de Melo”, relata a advogada à Agência Brasil.

Ela conta que Karinny, a adolescente e os dois homens que foram presos juntos chegaram ao local algemados e relataram ter sofrido agressões durante a noite. A advogada disse ainda que a jovem fez exame de corpo de delito, durante a madrugada. Depois, foi transferida para o Ceresp. Ao chegar no local, segundo a advogada, o exame de corpo de delito havia sido perdido e, por isso, teve que ser refeito.

(Crédito da foto da capa: Mídia Ninja)