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17 de abril de 2018, 10h34

MST ocupa fazenda de Oscar Maroni; local já foi a leilão por processos trabalhistas

Também é determinante para a ocupação denunciar o comportamento de Maroni com relação às mulheres

Na manhã desta terça-feira (17), cerca de 300 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) ocuparam a fazenda Santa Cecília, localizada em Araçatuba (SP), de propriedade de Oscar Maroni. De acordo com a coordenadora do movimento, Manuela Aquino, o local já sofreu várias sanções trabalhistas e houve um processo de negociação entre o proprietário e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para a venda pra reforma agrária dessa área. “O movimento só deixa a fazenda quando receber sinalização do Incra. Não temos prazo para sair. Nós esperamos um posicionamento do Incra nos sentido de obtenção dessas...

Na manhã desta terça-feira (17), cerca de 300 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) ocuparam a fazenda Santa Cecília, localizada em Araçatuba (SP), de propriedade de Oscar Maroni. De acordo com a coordenadora do movimento, Manuela Aquino, o local já sofreu várias sanções trabalhistas e houve um processo de negociação entre o proprietário e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para a venda pra reforma agrária dessa área.

“O movimento só deixa a fazenda quando receber sinalização do Incra. Não temos prazo para sair. Nós esperamos um posicionamento do Incra nos sentido de obtenção dessas terras. As famílias vieram pra ficar, nós já montamos a cozinha, o almoço já está sendo encaminhado e a ideia é que a gente fique aqui com a resistência de novas famílias inclusive”.

Manuela, que está na fazenda, disse ainda que a polícia já está por lá e conversou com as famílias que moram na área. “Acabaram de chegar com duas viaturas, pediram pra falar com os moradores e eles atestaram que estão podendo trabalhar e tudo está normal”, disse.

Manuela informa que a fazenda foi arrendada por Maroni para o grupo Raizen, que é a fusão da Cosan com a Shell. Tem uma parte onde funciona plantação de cana e outra que tem um haras. “Nós observamos também muitos agrotóxicos espalhados pela fazenda para o cultivo da cana”.

Misoginia

O comportamento de Maroni com relação às mulheres também foi determinante para a ocupação, de acordo com Manuela. “Como nós sempre pautamos a igualdade de gênero e a participação igualitária das mulheres, fazemos também esta denúncia. Na sexta passada mesmo ele expôs uma mulher, logo após a prisão de Lula. Ele também está incentivando o homicídio, quando oferece um mês de cerveja a quem matar o ex-presidente Lula na prisão. Isso é pistolagem, é uma forma de incentivo ao crime”, desabafou.

Esta é quarta ocupação do movimento na área do empresário, famoso por agenciar casas de prostituição de luxo como o Bahamas Club, onde Maroni agrediu sexualmente diversas mulheres, expondo o corpo de muitas trabalhadoras do sexo perante centenas de homens em uma festa na última sexta-feira (06/04).

A fazenda possui aproximadamente 1700 hectares, e já esteve envolvida em processos trabalhistas que a levaram a leilão em 2016. O MST exige que a área seja destinada para a Reforma Agrária, para a construção de um assentamento onde as famílias possam morar e produzir alimentos agroecológicos, trabalhando sob relações de gênero igualitárias.

A ação faz parte da Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária e denuncia as violências de Oscar Maroni. Além de rememorar os 22 anos de impunidade do Massacre de Eldorado dos Carajás, a Jornada também denuncia a paralisação da Reforma Agrária, a arbitrariedade da prisão de Lula, os dois anos do Golpe que depôs a presidenta eleita Dilma Roussef, completados nesta terça-feira e reivindica agilidade nas investigações do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.

 

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