07 de junho de 2018, 13h12

Mulher acampada no Paissandu perde bebê logo após parto

Fazia 15° naquele momento no centro de São Paulo. Ambulância demorou 1h30 para chegar, de acordo com testemunhas

Jaqueline, gestante que está há 37 dias acampada no largo do Paissandu, entrou em trabalho de parto, em torno das 17h30 desta quarta-feira (6), em sua barraca no local e perdeu o bebê, dentro da ambulância, horas depois, já durante a noite. Fazia 15° naquele momento no centro de São Paulo.

Rafael, o pai da criança solicitou ajuda à PM, que acionou o resgate. Um médico que estava próximo ao local prestou os primeiros atendimentos até a chegada do socorro, que demorou cerca de 1h30, de acordo com relatos de testemunhas que estavam no acampamento.

Jaqueline foi levada ainda em trabalho de parto à Santa Casa de São Paulo. O bebê nasceu no início da noite dentro da ambulância a caminho do hospital. Segundo a Polícia Civil, o médico notou que a criança estava roxa e aparentemente sem vida. O óbito foi constatado na Santa Casa. A mãe permanecia internada.

Sobrevivente do incêndio

Jaqueline é ex-moradora e uma das sobreviventes do incêndio no edifício Wilton Paes de Almeida, no último 1º de maio. Desde a tragédia, várias famílias permanecem acampadas no Largo do Paissandu e se recusam a ir para abrigos oferecidos pela prefeitura e exigem uma moradia.

Em matéria feita pelo repórter Ivan Longo, para a Fórum, moradores acampados no local revelaram que a maioria das famílias acha o valor de R$ 400 insuficiente para conseguir alugar uma moradia e seguir a vida adiante, tendo em vista que o pouco do que tinham foi perdido no incêndio e, sem nem mesmo um fogão para cozinhar ou um emprego para sustentar os filhos, segundo os desabrigados, fica praticamente impossível recomeçar a vida.

“O que eu vou fazer alugando uma casa sem ter um fogão para cozinhar, uma cama para dormir? Onde que eu vou buscar o dinheiro para fazer comida para o meu filho? Aqui no acampamento, pelo menos, a população está ajudando. O poder público não fez nada. Estamos em estado de emergência, estamos na rua. Manda o Bruno Covas [atual prefeito] alugar um apartamento e sustentar a família com R$400. Esse dinheiro ele gasta só na lanchonete. Não é justo para mim, com um filho e esposa, me dar R$400 reais”, disse Adilson da Silva, de 48 anos. O ambulante estava vivendo há quatro anos na ocupação com sua esposa e sua filha de 6 anos.

Sobre o assunto, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, disse à Folha, nesta quinta-feira (7): “Gostaria de mais uma vez pedir a ajuda e a colaboração de todos para que a gente possa convencer todas aquelas pessoas a aceitarem o acolhimento. Aquela condição é a mais inadequada para que eles fiquem. A prefeitura não tem nenhuma autorização legal para obrigá-los a sair de lá.”

Com informações da Folha