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07 de outubro de 2016, 16h50

Mulheres protestam contra a decisão que absolveu PMs do massacre do Carandiru

“Além da gente ter uma Bancada da Bala no Congresso e nas Assembleias Legislativas, agora nós nos deparamos com a bancada da Caneta Assassina”, disse Débora Silva Maria, do Movimento Mães de Maio Por Victor Labaki Movimentos sociais organizaram um ato nesta quinta-feira (8) para protestar contra a decisão do desembargador Ivo Sartori que anulou a condenação dos 74 policiais militares envolvidos no Massacre do Carandiru, que matou 111 pessoas, em outubro de 1992. “Os Massacres saíram do Carandiru e passaram a acontecer no cotidiano das periferias e das favelas. E pior, além da gente ter uma Bancada da Bala...

“Além da gente ter uma Bancada da Bala no Congresso e nas Assembleias Legislativas, agora nós nos deparamos com a bancada da Caneta Assassina”, disse Débora Silva Maria, do Movimento Mães de Maio

Por Victor Labaki

Movimentos sociais organizaram um ato nesta quinta-feira (8) para protestar contra a decisão do desembargador Ivo Sartori que anulou a condenação dos 74 policiais militares envolvidos no Massacre do Carandiru, que matou 111 pessoas, em outubro de 1992.

“Os Massacres saíram do Carandiru e passaram a acontecer no cotidiano das periferias e das favelas. E pior, além da gente ter uma Bancada da Bala no Congresso e nas Assembleias Legislativas, agora nós se deparamos com a bancada da Caneta Assassina, blindando a Bancada da Bala. Nós estamos aqui para dizer para o Judiciário ‘Carandiru, Nunca Mais!”, disse Debora Silva Maria, líder do Movimento Mães de Maio, que reúne mulheres que perderam seus filhos assassinados pela polícia em maio de 2006.

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Débora criticou a Justiça brasileira e exigiu que “a caixa preta do Judiciário seja aberta”.

“A caixa preta do Judiciário tem que ser violada, eles são nossos servidores. A gente paga imposto não para eles me criminalizarem, mas para trabalhar, que já passou da hora. Nós precisamos de resposta para as chacinas que acontecem, como a Chacina do Carandiru”, completou.

Além do Movimento Mães de Maio, estavam presentes mães de São Paulo, Osasco, Santos, Guarujá, Rio de Janeiro e outros movimentos de familiares de vítimas da violência de Estado brasileira.

Railda Alves, da Amparar (Associação de Amigos e Familiares de Presos/as), criticou as condições dos presídios atuais e a seletividade da Justiça;

“Os maus tratos continuam, as famílias continuam sendo maltratadas. (…) O Judiciário tem que parar de prender, porque se prende muito aqui no Brasil. E quem realmente rouba, está rua e deveria estar preso”, afirmou.

Durante uma coletiva de imprensa realizada antes da manifestação, todas essas mães deram depoimentos contando como seus filhos foram mortos.

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“Enterrei meu filho no dia 15 de maio de 2006. Ele foi assassinado no dia 14, dia das mães. E eu digo que o Estado não matou só meu filho. Ele me matou também. Já tem dez anos e nada foi feito”, disse Nilza, também do Movimento Mães de Maio.

Ana Paula Oliveira, integrante do movimento Mães de Manguinhos, do Rio de Janeiro, também relatou o que aconteceu com seu filho Johnatha de Oliveira Lima, de 19 anos, assassinado por policias da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora).

“Meu filho foi assassinado e eu nem tive tempo do luto. No dia seguinte que meu filho foi morto, quando eu estava me preparando para o enterro,  eu vi na televisão: ‘Jovem é assassinado em Manguinhos, a polícia alega que ele estava trocando tiros’. Aquilo ali foi como se eles tivessem mais uma vez matando meu filho. E eu falei: eu não vou deixar que isso fique assim. Eu vou ser a voz do Johnatha, enquanto eu viver eu vou ser a voz dele”, contou em um depoimento emocionado.

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Também participaram mães de estudantes secundaristas de São Paulo que denunciaram que seus filhos têm frequentemente sofrido intimidações, perseguições e até tortura policial.

A manifestação se concentrou na da Praça Tiradentes, em São Paulo, e seguiu pelas ruas do centro até chegar ao Tribunal de Justiça, na Praça da Sé. Lá as pessoas que participaram do ato escreveram “TJ SP Não esquecerá – 02/10/1992”, data da chacina, na calçada.

Foto de Capa: Rovena Rosa/Agência Brasil

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