11 de fevereiro de 2019, 22h44

Mural com desenho de Mandela é apagado em escola militarizada no DF

Frase do ex-presidente da África do Sul também foi coberta com tinta branca e direção alega que medida foi uma solicitação da Polícia Militar

Foto: Ana Elisa Santana/Arquivo Pessoal
A militarização das escolas já começa a mostrar a sua face. Um grafite com o desenho de Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul e ícone da luta pela igualdade racial, foi apagado da parede que fica no pátio interno do Centro Educacional 1, na Estrutural, no Distrito Federal, uma das escolas que adotarão educação militar em 2019, de acordo com informações de Marília Marques, do G1. Conforme Estela Accioly, diretora da instituição, Estela Accioly, a medida foi tomada por solicitação da Polícia Militar. A corporação assumiu a gestão da unidade nesta segunda-feira (11), no primeiro dia do ano letivo...

A militarização das escolas já começa a mostrar a sua face. Um grafite com o desenho de Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul e ícone da luta pela igualdade racial, foi apagado da parede que fica no pátio interno do Centro Educacional 1, na Estrutural, no Distrito Federal, uma das escolas que adotarão educação militar em 2019, de acordo com informações de Marília Marques, do G1.

Conforme Estela Accioly, diretora da instituição, Estela Accioly, a medida foi tomada por solicitação da Polícia Militar. A corporação assumiu a gestão da unidade nesta segunda-feira (11), no primeiro dia do ano letivo da rede pública.

“Mudou todo o layout da escola desde que entrou a gestão compartilhada. Nos disseram que a ideia é mostrar para comunidade que também haverá uma mudança ‘de fora para dentro’”, declarou. “Perguntaram se podiam pintar, para deixar no padrão de colégio da PM”, acrescentou.

Inclusão

Além do desenho, uma frase de Mandela também foi apagada. Os dizeres sobre educação e mudança foram pintados por um grupo de artistas voluntários do Paranoá, no fim de 2018. “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”, dizia o texto.

Já na parte externa da escola, o que era um “mural da inclusão”, se tornou um muro branco.

A direção da escola informou que a arte anterior era um conjunto de desenhos de crianças cadeirantes e/ou com algum tipo de deficiência. “Os alunos se identificavam e se sentiam representados”, afirma Estela.

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