20 de novembro de 2018, 18h42

Na Colômbia, caso Odebrecht coloca em xeque procurador, que advogou para empresa que recebeu propina

Áudios, divulgados pelo telejornal Noticias Uno, deixam claro que ele estava a par das irregularidades da companhia na construção de um trecho da rodovia Ruta del Sol, uma das principais do país

Parlamentares da oposição na Colômbia exigem a renúncia do procurador-geral, Néstor Humberto Martínez, após o vazamento de conversas que mostram que ele sabia do esquema de pagamento de suborno pela Odebrecht quando era o advogado do Grupo Aval, conglomerado bancário que controla a Corficolombiana, uma empresa de serviços financeiros que se envolveu na construção de diversas obras da empreiteira brasileira no país.

As conversações que o procurador-geral manteve em agosto de 2015 com Jorge Enrique Pizano, testemunha-chave do caso Odebrecht, morto há 10 dias em decorrência de um infarto, agora geram questionamentos ao seu trabalho à frente do órgão encarregado de investigar os milionários subornos pagos pela empreiteira Odebrecht a autoridades do país.

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Áudios, divulgados pelo telejornal Noticias Uno, deixam claro que ele estava a par das irregularidades da companhia na construção de um trecho da rodovia Ruta del Sol, uma das principais do país, ligando a região andina de Cundinamarca ao Caribe.

Numa das conversas, Martínez reconhece que não sabia exatamente em quais atividades a empreiteira estava envolvida. “Não sabemos se os paramilitares estão dando a grana. Se houver corrupção, estão roubando de uns ladrões filhos da puta… Bom, eu lhe digo qual é a tese na qual estamos trabalhando: não sabemos se estes filhos da puta estão pagando subornos daqui para Governos estrangeiros, e não sabemos se estão pagando subornos aqui para o Governo colombiano.” No sábado passado, vieram a público novos detalhes da conversa. Pizano pergunta se deve continuar questionando ou se é melhor ficar quieto. “Não. Quieto, quieto”, respondeu-lhe o advogado.

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Martínez assumiu o controle do Ministério Público colombiano em agosto de 2016, sob o mandato do então presidente Juan Manuel Santos. No começo de 2017, quando começou a aflorar a trama de corrupção da Odebrecht na Colômbia, desvinculou-se da investigação do escândalo. As gravações semeiam novas dúvidas sobre sua idoneidade para ocupar o cargo.

As informações são do jornal El País.

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