01 de fevereiro de 2018, 17h19

Na gestão Alckmin, dobra o número de pessoas mortas por policiais

Índice é o maior registrado pela Secretaria de Segurança Pública, desde que começou a contabilizar a letalidade policial anual em 1996.

Índice é o maior registrado pela Secretaria de Segurança Pública, desde que começou a contabilizar a letalidade policial anual em 1996. Da Redação* O modelo tucano de gestão registrou números no mínimo preocupantes. A quantidade de pessoas mortas pelas polícias Civil e Militar no Estado de São Paulo chegou a 939 em 2017. Trata-se do maior índice já registrado pela SSP (Secretaria da Segurança Pública), que começou a contabilizar a letalidade policial anual em 1996. Somente na gestão Geraldo Alckmin (PSDB), entre 2011 e 2017, a letalidade policial aumentou 96%. Outro dado significativo mostra que o número de policiais civis...

Índice é o maior registrado pela Secretaria de Segurança Pública, desde que começou a contabilizar a letalidade policial anual em 1996.

Da Redação*

O modelo tucano de gestão registrou números no mínimo preocupantes. A quantidade de pessoas mortas pelas polícias Civil e Militar no Estado de São Paulo chegou a 939 em 2017. Trata-se do maior índice já registrado pela SSP (Secretaria da Segurança Pública), que começou a contabilizar a letalidade policial anual em 1996. Somente na gestão Geraldo Alckmin (PSDB), entre 2011 e 2017, a letalidade policial aumentou 96%. Outro dado significativo mostra que o número de policiais civis e militares mortos no Estado (60), em serviço e em folga, é o menor desde 2001.

Durante o ano de 2017, 876 pessoas foram mortas em supostos confrontos apenas por policiais militares. Os outros 63 foram mortos por policiais civis, que teve um impulso devido à ação que terminou com dez suspeitos mortos no Morumbi, zona oeste da capital. No decorrer do ano passado, 45 policiais militares foram mortos em serviço e durante a folga. O número de policiais civis mortos chegou a 15.

Para a Secretaria da Segurança, os números só podem ser observados de forma correta se forem analisadas apenas as ocorrências em que policiais estão em serviço, excluindo da estatística as mortes ocorridas em supostos confrontos com policiais em folga. “O maior número de registros de morte decorrente de oposição à intervenção policial (policiais em serviço) aconteceu no ano de 2003, com 785 mortes, seguido por 2014, com 706 mortes. Segundo dados das corregedorias das polícias, 2017 fechou com 687 casos”, informou.

Os dados da letalidade policial foram divulgados nesta quinta-feira (1), no Diário Oficial do Estado. Já os dados de policiais mortos são do FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), uma vez que a SSP, entre 1996 e 2016, só divulgava policiais mortos em serviço, excluindo da tabulação os policiais mortos durante a folga.

Alta de 96% na letalidade policial

Levando em conta os últimos sete anos do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que deve deixar o cargo em abril para ser o candidato tucano nas eleições presidenciais, o número de pessoas mortas por policiais no Estado dobrou. Em 2011, as polícias mataram 480 pessoas. Já em 2017, os 939 mortos representam uma alta de 96%. Já o número de policiais civis e militares mortos caiu 17%, de 73 (em 2011) para 60 (em 2017).

Para o ouvidor das polícias de São Paulo, Julio Cesar Neves Fernandes, que é o homem responsável por fiscalizar desvios de policiais no Estado, o alto índice de mortes é fruto do desrespeito ao método Giraldi, que é um método de contenção no qual o policial é orientado a disparar dois tiros por vez contra um suspeito para que o policial fique seguro e, ao mesmo tempo, prenda o suspeito, em vez de matar.

“É lamentável que a gente veja isso, quando a expectativa é sempre que diminua. Isso significa que não estão obedecendo o que é feito no treinamento da PM, principalmente, que é exercitar nas ruas o método Giraldi. E quando não realiza permanentemente o que foi aprendido no início da função de policial, a tendência é essa aí: sempre aumentar. Se efetuassem o que aprendeu no treinamento, as duas mortes diminuiriam”, afirmou.

De 2011 para cá, durante a última gestão de Alckmin à frente do governo de São Paulo, o número de roubos subiu 29%; o de estupros, 6,6%; e o de roubos seguidos de morte, 2,7%. Em contrapartida, o número de vítimas de homicídios dolosos (com intenção de matar), tiveram baixa de 20,4%.

Em nota, a SSP informou que “o confronto nunca é uma opção do policial, mas do criminoso. O objetivo é realizar a prisão do infrator e a maior parte dos casos acontece quando os policiais atuam para impedir roubos”. Nos últimos cinco anos, a secretaria informou que 60% dos confrontos entre policiais militares e criminosos ocorreram nesta situação, na qual os suspeitos estão armados, subjugando e colocando a vida de pessoas em risco. “Em 2017, o índice de criminosos que morreram após confrontarem a polícia foi de 18%”, afirmou a pasta.

A socióloga Camila Nunes Dias, professora da UFABC (Universidade Federal do ABC) e colaboradora do NEV-USP (Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo) afirma que “a letalidade policial deixa muito claro que não tem relação com o número de crimes em si. Como uma suposta reação das polícias à atividade dos criminosos. Especialmente quando a gente pega o crime que mais tem relação com isso, que é o homicídio”. Para a especialista, “a questão da letalidade é uma escolha política. Aqui em São Paulo, a escolha política para o enfrentamento às questões de segurança pública está baseada na atuação da Polícia Militar ostensiva e aposta no confronto”, analisa.

*Com informações do UOL

Foto: Divulgação