05 de dezembro de 2018, 17h06

Na Globo, pastor defende a “não crença religiosa” e pede para que “as armas caiam no chão”

Pastor evangélico Henrique Vieira fez uma 'oração da felicidade' no programa "Amor e Sexo" em que saiu em defesa de LGBTs, mulheres, negros, indígenas e sem-teto, emocionando platéia e convidados; assista

Reprodução

O programa “Amor e Sexo”, da Globo, mais uma vez gerou uma forte repercussão nas redes sociais por tratar de temas que destoam da agenda editorial da emissora. Toda edição trata de temas polêmicos e não muito usuais na Globo, como feminismo, machismo, racismo, transfobia e outras pautas ligadas à questões de identidade, gênero ou sexualidade. No programa desta terça-feira (4) não foi diferente e boa parte dessas temáticas foram englobadas na pauta do dia, que era “a busca incessante pela felicidade”.

Após inúmeros depoimentos e uma homenagem a Nelson Mandela, o programa foi encerrado com uma “oração da felicidade” feita pelo pastor evangélico Henrique Vieira. Na prece, o religioso, seguindo a proposta do programa, destoou do estereótipo fundamentalista que comumente é associado às religiões neopentecostais e fez uma contundente fala em favor da liberdade religiosa e de camadas oprimidas da sociedade.

A oração já começou com a defesa de “todas as crenças religiosas” e até mesmo da “não crença religiosa”. A “pregação” segue com citações em favor da diversidade, contra o machismo estrutural e o genocídio da juventude negra, com menções, inclusive, a Marielle Franco, vereadora assassinada em março no Rio de Janeiro.

Emocionando convidados e platéia, o pastor ainda, em sua oração, se colocou em posição contrária a do presidente eleito Jair Bolsonaro, que é apoiado por boa parte da comunidade evangélica, em inúmeros temas: saiu em defesa dos indígenas, dos sem-teto e ainda conclamou: “que as armas caiam no chão”.

Henrique Vieira é fundador da Igreja Batista do Caminho, com sede em Niterói. O espaço de culto evangélico, diferentemente da maioria, acolhe todos os tipos de pessoas, incluindo as LGBTIs.

Confira, abaixo, a íntegra da oração.

‘que todas as crenças religiosas sejam respeitadas e até mesmo a não crença religiosa

que possamos comungar na crença da humanidade, da diversidade, do bem comum 

que seja declarada justa toda forma de amor

que nenhuma mulher seja alvo do machismo estrutural 

que a juventude negra não seja alvo do extermínio 

que marias eduardas não sejam assassinadas dentro da escola 

que marquinhos da maré não sejam assassinados indo pra escola 

que Marielles possam chegar em segurança em suas casas

que todo agricultor tenha uma terra para plantar 

que todo sem teto tenha uma casa pra morar

que os indígenas sejam respeitados nas suas crenças 

que as fronteiras acabem e as armas caiam no chão 

que a felicidade venha sobre nós, respeitando toda dor e consolando toda lágrima 

felicidade de verdade só é possível sob a benção da comunhão. 

Amém, axé e o que de mais universal existe: amor’