Adriana Dias

direitos humanos e acessibilidade

16 de agosto de 2018, 15h46

Na Unicamp, fascistas não passarão

Em sua coluna, Adriana Dias, que tem como tema de pesquisa os grupos neonazistas, comenta os ataques de ódio na Unicamp: "Na Unicamp não aceitaremos supremacias brancas colocando em risco décadas de debate sobre igualdade e direitos humanos"

O Neonazismo fez marcas nos banheiros do IG da Unicamp e nas salas do IEL. Deixou seus símbolos de ódio, avisando que farão uma manifestação contra a vida, lembrando o massacre de Columbine, deixando uma homenagem a Hitler, no seu dia de aniversário. Eu já avisei a vários grupos sobre o perigo desses ataques esse ano, visto que estamos no mês 8 de 2018, ou 8 de 18. 8 é a oitava letra do alfabeto, o H, símbolo hitlerista para esses fanáticos do ódio supremacista branco. Portanto, estamos em período para “homenagens” a Adolf Hitler, 8 18, H, AH, Heil Adolf Hitler, na linguagem louca dos ativistas desses grupos que estudo há mais de quinze anos.

Em 20 de abril de 1999, no aniversário do ditador nazista, na Columbine High School, em Columbine, no Colorado, Estados Unidos, os autores do crime, os alunos seniores Eric Harris e Dylan Klebold mataram 12 alunos e um professor. Eles também feriram outras 21 pessoas, e mais outras três ficaram feridas enquanto tentavam fugir da escola. Depois de trocarem tiros com policiais respondentes, a dupla cometeu suicídio. O fato de os EUA nunca terem assumido que o ataque era uma homenagem a Hitler deixou os grupos de ódio ainda mais furiosos. Evitar assumir os crimes praticados em atos terroristas por supremacistas é uma pratica até comum, visto o poder desses grupos na eleição de Trump, visto que apregoar a supremacia branca não é crime como discurso. De certa forma, isso deixa os grupos neonazistas num limbo entre o legal e o quase criminoso, e nisso crimes de ódio se proliferam.

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As fotos do vandalismo na Unicamp me machucam. A minha alma mater não merece isso. Na Unicamp não aceitaremos supremacias brancas colocando em risco décadas de debate sobre igualdade e direitos humanos. Nós expulsamos um interventor da ditadura no IFCH. Nunca aceitaremos fascistas. Estamos de prontidão. Como estudante do tema, coloco-me à disposição da Universidade nesse momento triste. E que negros, gays, judeus, trans sejam protegidos dessa onda nojenta. Estamos do lado das minorias. Sempre. Não passarão.