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22 de março de 2019, 06h00

“Não entendem nada de avaliação, é só ideologia”, diz deputado sobre análise prévia do Enem

Em entrevista à Fórum, Gastão Vieira (PROS-MA) criticou a iniciativa do governo Bolsonaro em designar uma comissão para analisar a “pertinência” das questões do Enem e chamou a atitude de "censura feita por leigos"

Foto: Reprodução
O deputado federal Gastão Vieira (PROS/MA) afirmou que “parece censura” a iniciativa do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) em designar comissão para analisar a “pertinência” das questões do Enem com a “realidade social”. A situação é ainda mais grave porque, segundo ele, as pessoas designadas para tal tarefa são leigas. “Não entendem nada de avaliação. É só ideologia.” Após a aplicação do Enem no ano passado, o presidente Jair Bolsonaro criticou uma das questões da prova e avisou que, como presidente da República, tomaria conhecimento prévio sobre o conteúdo das edições futuras. As críticas à decisão do...

O deputado federal Gastão Vieira (PROS/MA) afirmou que “parece censura” a iniciativa do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) em designar comissão para analisar a “pertinência” das questões do Enem com a “realidade social”.

A situação é ainda mais grave porque, segundo ele, as pessoas designadas para tal tarefa são leigas. “Não entendem nada de avaliação. É só ideologia.”

Após a aplicação do Enem no ano passado, o presidente Jair Bolsonaro criticou uma das questões da prova e avisou que, como presidente da República, tomaria conhecimento prévio sobre o conteúdo das edições futuras.

As críticas à decisão do Inep foram feitas por Gastão Vieira no Plenário da Câmara dos Deputados e reiteradas em entrevista à Fórum nesta quinta-feira (21).

Para ele, o grande problema em torno da queda de braço ideológica promovida pelo governo Bolsonaro está nas profundas deficiências da educação pública – em especial do ensino médio.

“São 7 milhões de garotos que saem para disputar 300 mil vagas nas universidades públicas”, ressalta.

Veja também:  No (des)governo Bolsonaro, contingenciamento é corte, sim, por Juliana Cardoso

Outro ponto desfavorável, segundo o deputado do PROS, é a ausência de canais de diálogo entre o Congresso e o Ministério da Educação (MEC).

Membro da Comissão de Educação da Câmara, Gastão espera que o ministro Ricardo Vélez Rodríguez compareça à reunião do colegiado na próxima quarta-feira (27) para prestar esclarecimentos sobre esse e outros pontos.

Autoclassificando- se como um político de diálogo, o parlamentar lembrou que, durante os governos Lula, mesmo em temas de divergências, eram construídos acordos políticos visando à unidade para a aprovação de matérias da Educação.

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