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30 de março de 2019, 08h12

“Não podemos ignorar quando vemos sinais de fascismo crescendo”, diz ativista alemão

A cidade de Berlim (Alemanha) contará com um ato, no domingo (31), contra às comemorações ao golpe de 1964 no Brasil incentivadas Bolsonaro; "Por nossa própria história com passado fascista temos que estar alerta", diz o alemão Christian Russau

Ato antifascista em Berlim (Foto: Christian Russau)
Enquanto no Brasil o ministro das Relações Exteriores afirma que o nazismo foi um regime de esquerda e o presidente incentiva comemorações ao aniversário do golpe de 1964 que culminou na ditadura militar, na Alemanha ativistas brasileiros e alemães estão engajados em denunciar ao mundo as aspirações antidemocráticas de Bolsonaro. Depois de protestos contra a relação de empresas alemãs com o governo brasileiro e em memória e homenagem a Marielle Franco, um novo protesto está marcado para acontecer no domingo (31) em Berlim. Desta vez, contra o elogio à ditadura incentivado por Bolsonaro. “Dia de luto e de luta. Venham...

Enquanto no Brasil o ministro das Relações Exteriores afirma que o nazismo foi um regime de esquerda e o presidente incentiva comemorações ao aniversário do golpe de 1964 que culminou na ditadura militar, na Alemanha ativistas brasileiros e alemães estão engajados em denunciar ao mundo as aspirações antidemocráticas de Bolsonaro.

Depois de protestos contra a relação de empresas alemãs com o governo brasileiro e em memória e homenagem a Marielle Franco, um novo protesto está marcado para acontecer no domingo (31) em Berlim. Desta vez, contra o elogio à ditadura incentivado por Bolsonaro.

“Dia de luto e de luta. Venham todas e todos participar do ato contra o elogio à ditadura militar. Venham vestidas e vestidos de preto. Tragam os cartazes. O ato será em silêncio”, diz a descrição do evento no Facebook.

Um dos organizadores é cientista social e ativista alemão Christian Russau. Autor do livro “Empresas Alemãs no Brasil – O 7×1 na economia”, Russau faz parte do grupo conhecido como Acionistas Críticos, composto por ativistas que compram ações de corporações transnacionais para ter acesso às assembleias de acionistas e denunciar os crimes sociais, ambientais, econômicos e políticos destas empresas. Nos últimos atos, se debruçou em escancarar as relações de empresas do seu país com um governo como o de Bolsonaro.

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Agora, alerta para a ascensão do pensamento fascista no Brasil com os incentivos de comemoração a um golpe feitos pelo presidente brasileiro.

Christian Russau (à direita) e outros ativistas que organizam o protesto de domingo

De acordo com Russau, há “uma direita revanchista crescendo na Alemanha, mas nada que se compare com o crescimento de movimentos fascistas em outros países”.

O ativista considera importante um ato contra Bolsonaro em uma cidade como Berlim exatamente pelo passado de sua nação. “Por nossa própria história com passado fascista temos que estar mais alertas ainda contra todo o desenvolvimento de movimentos fascistas. Afinal, nós sabemos da nossa história através de nossos familiares, pelo o que aprendemos na escola, e por isso, simplesmente, não temos direito de ignorar, de fechar os olhos ou ficar calados quando vemos esses movimentos crescendo em outros lugares do mundo”, pontua.

“Um alemão não tem hoje como dizer que não sabia e por isso ficou calado”, completa.

O ato em Berlim contra as comemorações do golpe de 1964 é organizado por entidades como Fórum Resiste Brasil – Berlin, Brasilien Initiative Berlin e FDCL, e acontecerá a partir das 15h (horário local) em frente ao icônico Portão de Brandemburgo.

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Saiba mais sobre o evento aqui.

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