05 de janeiro de 2018, 14h53

“Não trabalhamos com outra hipótese que não seja a absolvição de Lula”, diz advogada do ex-presidente

Durante encontro promovido pelo Projeto Brasil Nação, Valeska Martins afirmou que “tecnicamente, o conjunto probatório indica a inocência”.

Durante encontro promovido pelo Projeto Brasil Nação, Valeska Martins afirmou que “tecnicamente, o conjunto probatório indica a inocência”.

Da Redação

Valeska Martins, uma das advogadas da equipe que defende Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que “Não trabalhamos com outra hipótese que não seja a absolvição do ex-presidente. Tecnicamente, o conjunto probatório indica a inocência”. Apesar disso, ela ressalta a estratégia usada pela força-tarefa da Lava Jato de demonizar Lula e sua família: “É uma tática de guerra jurídica, pois a condução desse processo é uma clara afronta ao estado de direito e uma deturpação do sistema. O juiz Sergio Moro age fora da regra geral e isso que está acontecendo não se trata de uma ação individual, contra o ex-presidente, mas, sim, um ato contra a Nação. Não se pode admitir que a presunção da inocência seja violada”, analisou ela, durante a reunião promovida pelo Projeto Brasil Nação e realizada nesta sexta-feira (5).

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O encontro, que contou com a participação de representantes do PT, PCdoB, MST, CUT, UNE, MTST, Frente Brasil Popular, sindicatos, artistas e diversos movimentos sociais, também teve a presença do ex-ministro Celso Amorim. Junto com a plateia e o mediador Altamiro Borges, responsável pelo Blog do Miro e pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, Amorim debateu estratégias de mobilização para o julgamento de Lula, no próximo dia 24, em Porto Alegre, além de formas de ampliar a penetração do “Manifesto Eleição sem Lula é Fraude”, que conta, até o momento, com 130 mil assinaturas.

“É pouco, mas não deixa de ser um número significativo, um ponto de partida. De qualquer maneira, é importante que todos trabalhem no sentido de chegar a um número bem maior. Levar esse abaixo-assinado, efetivamente, às ruas. Para isso, é preciso ampliar para alcançar outras tendências, para além da militância. Afinal, o que estamos vendo não é uma violência só contra Lula ou só contra o PT, a Manuela ou o Boulos. Poderia ser o Ciro também. Na verdade, é uma ameaça à democracia. Hoje, é com o Lula, mas amanhã pode ser com outra liderança”, avaliou Amorim.

Outra questão abordada foi a necessidade de que o manifesto ganhe peso e força entre autoridades e lideranças progressistas internacionais, seguindo o que fizeram a ex-presidenta da Argentina Cristina Kirchner; o historiador inglês Peter Burke; o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos; a escritora e presidente da Fundação José Saramago, e sua viúva, a espanhola Pilar del Río; o linguista e filósofo norte-americano Noam Chomsky; o prêmio Nobel da Paz Adolfo Esquivel; o ex-ministro das Finanças da Grécia Yánis Varoufákis; e o cineasta grego Costa-Gavras.

Também foi anunciado aos presentes o calendário oficial das manifestações preparatórias para o julgamento do ex-presidente: 13 de janeiro – Em todos os estados do país, dia de manifestações e de lançamento dos Comitês Populares em Defesa da Democracia e do Direito de Lula ser Candidato. 22 de janeiro – Em Porto Alegre, Seminário Internacional sobre Democracia (manhã) e Debate com juristas e lançamento das edições em espanhol e em inglês do livro “Comentários sobre uma Sentença Anunciada” (tarde). 23 de janeiro – Em Porto Alegre, Ato das Mulheres em apoio ao presidente Lula (manhã), ato internacional em conjunto com o Fórum Social Mundial (tarde), seguido de caminhada e vigília em defesa da democracia e do presidente Lula. 24 de janeiro (dia do julgamento) – Ato Público em Porto Alegre em Defesa da Democracia e do direito de Lula ser candidato. Em todos os estados, manifestações em defesa da democracia e do direito do presidente Lula. No dia 25 de janeiro, a Comissão Executiva Nacional do PT fará reunião ampliada para reafirmar a candidatura de Lula à presidência da República.

O Projeto Brasil Nação foi idealizado pelo economista e ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira, conta com a participação de juristas, jornalistas, intelectuais e propõe alternativas viáveis e responsáveis ao país, além da reconstrução de um centro político em condições de unir o Brasil em torno de um projeto.

Foto: Cadu Bazilevski/especial para o Barão do Itararé