Imprensa livre e independente
17 de maio de 2019, 06h00

“Nem os conservadores se sentem à vontade ao lado de Bolsonaro”, diz Camilo Capiberibe

No programa Fórum 21, deputado federal pelo PSB, que integra a Comissão de Relações Exteriores da Câmara, avaliou a viagem de Bolsonaro a Dallas, nos Estados Unidos, como um verdadeiro "fiasco"

Foto: Divulgação/PSB na Câmara
Em entrevista aos jornalistas George Marques e Ivan Longo no programa Fórum 21, veiculado na noite desta quinta-feira (16), o deputado federal Camilo Capiberibe (PSB-AP), que é membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, classificou a nova viagem de Jair Bolsonaro aos Estados Unidos como um “fiasco absoluto”. Depois de ser rejeitado em Nova Iorque por empresas e até pelo prefeito Bill de Blasio, o capitão da reserva decidiu remanejar um evento em que recebeu uma homenagem da Câmara de Comércio Brasil – Estados Unidos para Dallas, no Texas. Acontece que nem em uma das regiões mais...

Em entrevista aos jornalistas George Marques e Ivan Longo no programa Fórum 21, veiculado na noite desta quinta-feira (16), o deputado federal Camilo Capiberibe (PSB-AP), que é membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, classificou a nova viagem de Jair Bolsonaro aos Estados Unidos como um “fiasco absoluto”.

Depois de ser rejeitado em Nova Iorque por empresas e até pelo prefeito Bill de Blasio, o capitão da reserva decidiu remanejar um evento em que recebeu uma homenagem da Câmara de Comércio Brasil – Estados Unidos para Dallas, no Texas. Acontece que nem em uma das regiões mais conservadoras dos Estados Unidos o presidente brasileiro foi bem recebido.

O World Affair Council, entidade que sediou o evento, informou que foi o próprio Bolsonaro que “se convidou” e até o prefeito de Dallas, Mike Rawlings, assim como Blasio, afirmou que a presença do capitão da reserva não era bem-vinda.

“Um fiasco absoluto. Foi uma viagem sem agenda, em que o presidente precisou ocupar seu tempo levando a comitiva para passear, fez até uma visita surpresa ao ex-presidente Bush. É uma coroação”, disse Capiberibe.

Veja também:  Ao estilo Carlos Bolsonaro, FHC tuita mensagem enigmática: "Maia brilha na escuridão celeste"

“As viagens do presidente não têm sido boas porque Bolsonaro se considera um conservador, mas na verdade é um enorme reacionário, um reacionário que defende pautas e expõe ideias que nem os conservadores se sentem à vontade do lado dele. Se fosse um conservador convicto, de ideias liberais, e tivesse implementando uma política conservadora, mas com coerência, ele seria bem recebido. Na verdade é reacionarismo, autoritarismo e retrocesso, não tem como ele ser bem recebido”, completou o parlamentar, que ainda disse que Bolsonaro vem se tornando um “pária” internacionalmente.

Na entrevista, além da imagem constrangedora que Bolsonaro vem passando ao mundo, Capiberibe analisou que o presidente vem perdendo cada vez mais força na medida em que a revolta popular cresce, principalmente a partir das mobilizações em defesa da educação, e que seu governo vem se mostrando cada vez mais sem base e sustentação. Para o parlamentar, nem mesmo a reforma da Previdência, em tramitação no Congresso, representa um projeto de Bolsonaro.

Veja também:  Bolsonarista que assassinou Moa do Katendê durante a eleição vai a juri popular em 11 de setembro

“É um projeto sustentado pelo mercado, representado pelo Paulo Guedes. É um governo que não é dele. Ele está se sustentando de uma lado nessa expectativa do mercado de privatização do nosso sistema de seguridade, privatização das universidades… O que a gente está vendo é: com esse corte de gastos em educação, o efeito imediato foi um aumento nas ações das faculdades privadas. Então, é um projeto de redução do Estado, que é do Paulo Guedes. Ele defende sem convicção a reforma, defende sem convicção boa parte dessas pautas, mas o que ele tem compromisso mesmo é com a flexibilização do porte de armas, uma agenda conservadora de costumes”, pontuou.

Para Capiberibe, a soma de inúmeros fatores, como a falta de base no Congresso, as brigas internas entre militares e “olavistas”, os vexames internacionais e a mobilização popular contra os cortes na educação fazem com que o governo esteja “contra a parede”. “Tudo isso cria um momento de dificuldade para um governo que não tem coesão, não tem base política e não tem projeto.”

Veja também:  Carlos Bolsonaro tenta provocar a esquerda em código morse mas erra a tradução

O deputado falou ainda sobre o projeto de decreto legislativo apresentado pelo seu partido, o PSB, para sustar o decreto baixado por Bolsonaro que, entre outras coisas, dá poderes ao general Santos Cruz, da Secretaria de Governo, para avalizar nomeações de reitores e pró-reitores em universidades federais, acabando com a autonomia universitária.

Assista à íntegra.

Você pode fazer o jornalismo da Fórum ser cada vez melhor

A Fórum nunca foi tão lida como atualmente. Ao mesmo tempo nunca publicou tanto conteúdo original e trabalhou com tantos colaboradores e colunistas. Ou seja, nossos recordes mensais de audiência são frutos de um enorme esforço para fazer um jornalismo posicionado a favor dos direitos, da democracia e dos movimentos sociais, mas que não seja panfletário e de baixa qualidade. Prezamos nossa credibilidade. Mesmo com todo esse sucesso não estamos satisfeitos.

Queremos melhorar nossa qualidade editorial e alcançar cada vez mais gente. Para isso precisamos de um número maior de sócios, que é a forma que encontramos para bancar parte do nosso projeto. Sócios já recebem uma newsletter exclusiva todas as manhãs e em julho terão uma área exclusiva.

Fique sócio e faça parte desta caminhada para que ela se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie a Fórum