25 de junho de 2018, 20h25

Neymar + efeito Heisenberg = outro ovo da serpente chocado

Observe a fotografia que abre essa postagem. Ela poderá explicar bastante o futuro que talvez esteja reservado para a Seleção brasileira nessa Copa. A imagem mostra Neymar Jr. correspondendo às câmeras em um flagrante do chamado “efeito Heisenberg” midiático

Dói para esse humilde blogueiro, santista futebolisticamente e de nascimento, escrever essas mal traçadas linhas: Neymar Jr. é um subproduto perverso do neodesenvolvimentismo dos governos petistas – que confundia a inclusão de brasileiros na sociedade de consumo como a própria ideia de cidadania. E agora virou a “grande esperança branca” de uma seleção convertida em modelo de sucesso mérito-empreendedor pós-golpe através de jogadores que conheceram o sucesso financeiro na Europa.

A foto acima que ilustra essa postagem fala muito mais do que mil textos que tentem traduzir sociologicamente essa situação bizarra de um jogador considerado a última bala na agulha de uma seleção de futebol milionária.

Se outro jogador santista, Pelé, aos 17 anos após um golaço na final da Copa de 1958 contra a Suécia (chapéu num zagueiro, matou no peito e bateu de primeira no canto direito), caiu em choro copioso após o título mundial, agora Neymar Jr. desaba no gramado em prantos depois de fazer um gol sem goleiro contra o 25o colocado do ranking FIFA num jogo da fase de grupos da Copa.

Neymar Jr., jovem e promissor jogador da base do Santos revelado em 2009 cada vez mais se notabilizou por vídeos em redes sociais dando pitacos contra juízes, adversários e até contra o técnico, Dorival Junior, por certa vez  tê-lo impedido de cobrar um pênalti em uma partida.

Pelé chora no ombro de Didi em 1958 após ser campeão do mundo aos 17 anos

“Criando um monstro”

Na época, outro técnico, Renê Simões do Atlético de Goiás, chegou a falar que a mídia “estava criando um monstro”.

Na medida em que seu “sucesso” futebolístico (com grande complacência da grande mídia e do mercado publicitário) aumentava sua onipresença midiática, mais e mais o jogador revelava suas origens sócio-culturais: no funk ostentação da Baixada Santista/SP – ao lado da Grande São Paulo, berço da vertente brasileira reacionária do gênero musical: musicas sobre carros, motocicletas, bebidas, além de abordar as mulheres como um mero meio de alcançar ainda mais poder material. Bem diferente da vertente carioca que tematizava a criminalidade e a vida sofrida nos morros e periferias.

O personagem Neymar Jr. cresceu como modelo de sucesso (com direito a participação em novelas da Globo) para uma geração que via nas novas formas de consumo da egressa Classe C um canal para reconhecimento e afirmação em um País que parecia ser a bola da vez. E exibindo uma fortuna desperdiçada em carros , helicópteros, um iate para 60 pessoas e um jato particular. Riqueza ostentada sistematicamente por ele próprio e seus amigos e agregados privilegiados em redes sociais.

Hoje, Neymar Jr. é o seu próprio paroxismo: é também um subproduto do chamado “efeito Heinsenberg” (o mesmo que levou a Seleção às cordas no 7 X 1 contra a Alemanha em 2014) e que destrói o futebol brasileiro – efeito secundário produzido pelas coberturas midiáticas no qual a mídia passa a maior parte do tempo cobrindo o efeito que ela própria cria sobre os fatos: a cobertura dos esforços dos personagens transformarem-se a si mesmos em entretenimento para atrair a atenção das mídias – sobre esse conceito clique aqui.

Renê Simões: “mídia está criando um monstro”

“Neymarketing?”

Com a crescente dramaticidade do jogo contra a “poderosa” Costa Rica e, como era de se esperar, o descontrole emocional de um jogador que só parece mostrar seu talento em ambientes favoráveis de jogo, Neymar passou a xingar e desacatar o juiz, jogar a bola no chão em protesto e xingar ainda mais o adversário.

Mas ainda o pior: ofendeu o capitão do próprio time (Thiago Silva) após devolver a bola num gesto de fair play.

Após o apito final, Neymar Jr. desabou no gramado chorando e escondendo o rosto. “Neymarketing”? Uma estratégia para criar empatia com o distinto público? Afinal, quando ele achava que já estava tudo perdido, desfilou arrogância, destempero e palavrões. Enquadrado em close pelas câmeras da Fifa.

O jornalista Paulo Henrique Amorim carregou as tintas na Psicanálise para diagnosticar o chiliquento Neymar: se as lágrimas forem falsa é mau-caratismo. Se verdadeira, disse o jornalista, trata-se de um sujeito psicótico – clique aqui.

Mas talvez não seja necessário chegar a tanto. Neymar Jr. é o resultado do equívoco dos anos de neodesenvolvimentismo que chocou o ovo da serpente do novo riquismo mérito-empreendedor sem formação política ou noção de cidadania. Somado ao pós-moderno efeito Heisenberg midiático.

Muito mais do que o metrossexual Cristiano Ronaldo, que a todo momento olha o seu rendimento visual no telão do estádio, em Neymar há algo de muito mais insidioso: a leniência da grande mídia e dos brasileiros.

Um “ativo financeiro” da indústria de lavagem de dinheiro no futebol?

Efeito Heisenberg e tautismo

Para a grande mídia, Neymar cumpre o script perfeito – as mídia cobrem um personagem que se esforça em capturar a atenção das câmeras. Em última instância, a mídia cobre a si mesma, confirmando o seu tautismo (tautologia + autismo midiático) crônico.

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