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24 de outubro de 2018, 08h08

No Rio, Mano Brown faz discurso histórico pra mudar não só a eleição, mas o PT

"Se nós somos o Partido dos Trabalhadores, o partido do povo, nós temos que entender o que o povo quer. Se não sabe, volta para a base e vai procurar saber", disse o rapper.

Reprodução/Youtube
Com a lucidez, a coerência e a força que conduz as críticas sociais em suas letras de rap há mais de 3 décadas, Mano Brown fez um discurso histórico no ato em apoio a Fernando Haddad, presidenciável petista, que ocorreu nesta terça-feira (23), nos Arcos da Lapa, no Rio. “Eu não gosto do clima de festa. A cegueira que atinge lá atinge nós também. E isso é perigoso”, disse o rapper, logo no início de sua fala, causando um momento de reflexão na multidão que se aglomerava em frente ao palco, onde estava, além de Haddad e a candidata a...

Com a lucidez, a coerência e a força que conduz as críticas sociais em suas letras de rap há mais de 3 décadas, Mano Brown fez um discurso histórico no ato em apoio a Fernando Haddad, presidenciável petista, que ocorreu nesta terça-feira (23), nos Arcos da Lapa, no Rio.

“Eu não gosto do clima de festa. A cegueira que atinge lá atinge nós também. E isso é perigoso”, disse o rapper, logo no início de sua fala, causando um momento de reflexão na multidão que se aglomerava em frente ao palco, onde estava, além de Haddad e a candidata a vice, Manuela D’Ávilla (PCdoB), nomes como Chico Buarque e Caetano Veloso.

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Referindo-se às “falhas na comunicação” do PT, Brown fez um convite ao partido e aos apoiadores. “Se nós somos o Partido dos Trabalhadores, o partido do povo, nós temos que entender o que o povo quer. Se não sabe, volta para a base e vai procurar saber”.

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O rapper disse ainda que, apesar de ter jurado não subir mais em palanque político, estava ali para dar um recado que há “multidão que não está aqui que precisa ser conquistado. Ou a gente vai cair no precipício”.

“Não sou pessimista, sou realista. Eu não consigo acreditar que pessoas que me tratavam com tanto carinho. Pessoas que me respeitavam, me amavam, que me serviam o café de manhã, que lavava meu carro, que atendia meu filho no hospital se transformara em monstros. Eu não posso acreditar nisso. Eu não posso acreditar que essas pessoas são tão más assim”, afirmou.

Ao final, em meio a aplausos e vaias, Brown disse que “o que mata a gente é a cegueira e o fanatismo”. “Deixou de entender o povão, já era”.

Ao receber, o microfone do rapper, Caetano Veloso afirmou que Brown trouxe “a complexidade do momento”. “O Brasil tem sido bombardeado a algumas décadas por uma imbecilização planejada, em que filófosos dizem palavrão para acostumar a mente brasileira à ideia de que o cafajeste é quem nos representa”, afirmou Caetano.

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Para o compositor baiano, é preciso encontar meios de falar com as pessoas que se deixaram hipnotizar por essa onda, “essa cafajestização do omem brasileiro”. “O que estamos defendendo aqui, com Fernando Haddad e Manuela D’ávilla, é a dignidade do homem brasileiro”, disse Caetano.

Assista ao discurso de Mano Brown na íntegra.

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