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18 de julho de 2013, 11h10

Noite de protestos no Rio de Janeiro pede saída de Cabral

Houve manifestação na Rocinha em protesto contra desaparecimento de homem levado por agentes da UPP para interrogatório

Houve manifestação na Rocinha em protesto contra desaparecimento de homem levado por agentes da UPP para interrogatório

Por Igor Carvalho

Manifestantes fazem fogueira na rua onde mora o governador Sérgio Cabral (Foto: Fernando Frazão/ABr)

A rua Aristides Espínola, onde mora o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, amanheceu cercada por grades e com policiamento reforçado, após a noite de protestos contra o governo do peemedebista.

O protesto começou por volta de 17h, já na frente do prédio onde reside o governador. Segundo a Polícia Militar, aproximadamente 500 pessoas se reuniram no local. Eram 22h30 quando os conflitos entre policiais e manifestantes começou.

Com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo, o policiamento conseguiu afastar os manifestantes, que montaram barricadas com fogueiras, na entrada da rua Aristides Espínola, usando roupas e manequins de uma loja.

Um repórter da Folha de S. Paulo foi atingido por uma bala de borracha e o tradicional bar Jobi foi alvo uma bomba de gás lacrimogêneo. Após serem dispersados, os manifestantes seguiram para Ipanema. Na rua Visconde de Pirajá, montaram barricadas com sacos de lixo, ocupando e interditando a via.

Agências de bancos e lojas de grife foram quebradas por manifestantes. O “brucutu”, carro que lança jatos d’água, foi chamado e só então o protesto foi encerrado, por volta de 2h. Ao todo, 15 pessoas foram detidas durante a noite.

Pautas

Os manifestantes pediam o impeachment do governador Sérgio Cabral e a instauração de quatro CPIs: da Delta, da Copa, da “máfia” dos ônibus e do uso de helicópteros por Cabral e familiares. Nas manifestações, também houve gritos e reivindicações contra a privatização do Complexo do Maracanã e pela desmilitarização da Polícia Militar.

Rocinha

Moradores da Rocinha também protestaram. Os manifestantes ocuparam a autoestrada Lagoa-Barra para pedir explicações sobre o desaparecimento de Amarildo de Souza, que foi levado por agentes da UPP para ser interrogado no sábado (13) e, desde então, não retornou. A Polícia Militar informou que o caso está sendo investigado.

Outra reclamação dos moradores foi a prisão de Jorge de Paula Santos e Rodolfo Ferreira de Souza, que seriam inocentes, segundo a comunidade, mas foram detidos durante a Operação Paz Armada da PM.

Reunião de emergência

Preocupado com a noite de protestos e a repercussão das manifestações nas vésperas da visita do Papa Francisco ao Rio de Janeiro, o governador Sérgio Cabral convocou duas reuniões de emergência para a manhã desta quinta-feira (18).

A primeira reunião da manhã foi com o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, a chefe da Polícia Civil, Martha Rocha, o comandante da Polícia Militar, Coronel Erir da Costa Filho, os secretários da Casa Civil, Regis Fichtner, e de Governo, Wilson Carlos Carvalho. Segundo a assessoria do governador, o encontro é para tratar do “vandalismo praticado na zona sul do Rio de Janeiro quarta-feira (17)”.

A segunda reunião será com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), a desembargadora e presidente do Tribunal de Justiça, Leila Mariano, o presidente da OAB-RJ, Felipe Santa Cruz, e o defensor-geral do Estado, Nislon Bruno. Cabral, em nota, afirmou que os protestos contra a sua gestão têm ligação com a oposição.