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17 de janeiro de 2016, 18h39

Norte-americana relata como refugiados sírios a salvaram de estupro

Polícia da cidade alemã de Colônia registrou mais de 500 denúncias de mulheres agredidas sexualmente no Ano Novo; refugiados tornaram-se alvo de ataques xenófobos

Polícia da cidade alemã de Colônia registrou mais de 500 denúncias de mulheres agredidas sexualmente no Ano Novo; refugiados tornaram-se alvo de ataques xenófobos Por Opera Mundi Caitlin Duncan, uma estudante de neurociência de Seattle (EUA) relatou neste fim de semana ao jornal The New York Times como ela foi resgatada por um grupo de refugiados sírios de uma tentativa de estupro durante a onda de agressões sexuais no Ano Novo em Colônia (Alemanha). Segundo Duncan, as festividades de fim de ano no centro da cidade alemã começaram a ficar caóticas e ela acabou se perdendo de seu namorado na...

Polícia da cidade alemã de Colônia registrou mais de 500 denúncias de mulheres agredidas sexualmente no Ano Novo; refugiados tornaram-se alvo de ataques xenófobos

Por Opera Mundi

Caitlin Duncan, uma estudante de neurociência de Seattle (EUA) relatou neste fim de semana ao jornal The New York Times como ela foi resgatada por um grupo de refugiados sírios de uma tentativa de estupro durante a onda de agressões sexuais no Ano Novo em Colônia (Alemanha).

Segundo Duncan, as festividades de fim de ano no centro da cidade alemã começaram a ficar caóticas e ela acabou se perdendo de seu namorado na praça diante da catedral de Colônia.

Em meio à multidão, ela descreveu ao jornal norte-americano que sentiu seu chapéu ser furtado por um homem, enquanto outro a agarrou por trás, tentando esvaziar seus bolsos. Um terceiro homem ainda aparecera neste momento, tentando beijar seu pescoço e rosto, relata a mulher de 27 anos.

A estudante conta que tentou pedir apoio para a polícia alemã, mas os oficiais estavam ocupados demais tentando separar a multidão e não deram atenção a ela. Neste momento, Caitlin afirma que outro grupo de homens surgiu, puxando os cabelos dela.

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“Eu tentei entrar no ‘modo luta’: chutei e bati neles até conseguir escapar”, relata. “Mas eu senti muito medo”, acrescentou.

Neste momento, ela conta que um grupo de refugiados sírios apareceu, oferecendo-lhe ajuda. Ao assentir, ela conta que eles fizeram uma corrente em volta dela pela multidão e um deles deu-lhe um telefone para que ela pudesse falar com seu namorado.

Um dos homens do grupo era Hesham Ahmad Mohammad, de 32 anos. Professor de uma escola primária, ele fugiu de Aleppo e estava celebrando o Ano Novo em Colônia com outros amigos sírios que recentemente haviam chegado à Alemanha, fugindo da guerra no país de Bashar al Assad.

A polícia de Colônia registrou mais de 500 denúncias de mulheres agredidas sexualmente na noite de Ano Novo. Um relatório oficial da corporação concluiu que a maiorioa parte dos ataques foi perpetrada por “homens árabes e provenientes do norte da África”.

A situação gerou uma onda de ataques xenófobos de ultradireitistas. Nos últimos dias, simpatizantes do grupo anti-imigração Pegida (Europeus Patrióticos contra a Islamização do Ocidente), fizeram uma série de protestos criticando a política de acolhimento da chanceler alemã, Angela Merkel. Diante da pressão, a chefe de governo aprovou um documento que visa retirar os direitos de refugiados que cometam crimes.

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“Nós escutamos as notícias todos os dias sobre refugiados e fico triste com o que isso. Há pessoas más todo lugar, mas ninguém fala das pessoas boas”, afirma Hesham ao New York Times.

Após o evento, Caitlin Duncan conta que ela e Hesham Ahmad Mohammad ficaram amigos e falam com frequência. “No final, com ajuda dele, deu tudo certo”, conta a norte-americana.

Foto: Reprodução/sapo.pt

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