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03 de março de 2016, 09h39

Número de homicídios na cidade de SP é maior que o divulgado pelo governo Alckmin

De acordo com levantamento de jornal, ao menos 21 casos com características de homicídio foram reclassificados para “lesão corporal seguida de morte”, saindo das estatísticas do governo do estado. Vítimas eram, na maioria, trabalhadores braçais, dependentes químicos, moradores de rua e estrangeiros Por Redação Um levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo tendo como base boletins de ocorrência registrados pela Polícia Civil na cidade de São Paulo no primeiro semestre de 2015 mostra que ao menos 21 casos com características de homicídio ficaram de fora das estatísticas criminais oficiais da Secretaria estadual de Segurança Pública. Eles foram reclassificados como “lesão corporal seguida de morte” mesmo...

De acordo com levantamento de jornal, ao menos 21 casos com características de homicídio foram reclassificados para “lesão corporal seguida de morte”, saindo das estatísticas do governo do estado. Vítimas eram, na maioria, trabalhadores braçais, dependentes químicos, moradores de rua e estrangeiros

Por Redação

Um levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo tendo como base boletins de ocorrência registrados pela Polícia Civil na cidade de São Paulo no primeiro semestre de 2015 mostra que ao menos 21 casos com características de homicídio ficaram de fora das estatísticas criminais oficiais da Secretaria estadual de Segurança Pública. Eles foram reclassificados como “lesão corporal seguida de morte” mesmo sem se saber se a pessoa tinha ou não intenção de matar, o que justificaria a alteração.

Segundo a reportagem, a maioria dos casos se relaciona a moradores de rua, trabalhadores braçais, dependentes químicos e estrangeiros, sendo que a maior parte ocorreu em regiões periféricas. Relatos de policiais civis, testemunhas e familiares das vítimas apontam que os delitos foram cometidos por traficantes de drogas ou desafetos pessoais e mesmo por assaltantes. Nestes casos, até agora, ninguém foi preso.

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Caso essas ocorrências tivessem sido incluídas nas estatísticas como homicídios, isso resultaria em uma elevação de 0,3% no total de vítimas desse tipo de crime em relação a igual período de 2014, quando foram registradas 588 mortes. Sem a contagem dos episódios, houve redução de 3,2% na comparação.

O secretário da Segurança Pública do estados, Alexandre de Moraes, sustenta que “as estatísticas da secretaria são 99,9% confiáveis”, afirmando que, após a reportagem, boletins de ocorrência foram reclassificados para outros tipos de delitos. “Seis como homicídios, que logo foram colocados na estatística.”

Em fevereiro, o governo de São Paulo já havia sido questionado a respeito da metodologia aplicada para organizar as estatísticas relativas a homicídios no estado. O índice adotado é calculado a partir do número de casos, e não de vítima, sendo que cada registro pode ter mais de um óbito. O método é distinto do utilizado por outros estados ou do recomendado por organismos internacionais e apresenta taxas abaixo da realidade

 

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