08 de julho de 2016, 18h21

O ‘7×1’ da democracia

Desde o fatídico jogo entre Brasil e Alemanha no dia 8 de julho de 2014, considerado um dos maiores vexames do futebol nacional, o país viveu uma série de retrocessos democráticos; confira alguns deles

Por Redação

O fatídico jogo entre Brasil e Alemanha no Mineirão lotado, no dia 8 de julho de 2014, na semifinal da Copa do Mundo, ficou marcado como um dos maiores vexames da história do futebol. Mas não foi só no esporte que os brasileiros passaram vergonha. Nesses dois anos, a agenda progressista  do país viveu uma série de retrocessos. Relembre alguns deles.

Gol de Müller: Eleição do Congresso mais conservador desde 1964

Desde 2014, vemos pelo Brasil uma ascensão cada vez maior do conservadorismo. Isso se comprovou depois que foi eleito o Congresso mais conservador desde 1964. A bancada BBB (Boi, Bíblia e Bala) – que agrega ruralistas, pastores e militares – é uma peça fundamental do momento de instabilidade política que vivemos atualmente.

Gol de Klose: Eleição do Cunha para a presidência da Câmara

Em fevereiro de 2015, Eduardo Cunha foi eleito presidente da Câmara. O deputado – agora afastado – aprovou diversos projetos contra a população brasileira, em benefício próprio ou de seus aliados. Por meio das investigações da Operação Lava-Jato, foi descoberto que o parlamentar mantinha contas secretas na Suíça, para onde enviava dinheiro que recebia de propina. Ele já é réu em dois processos no STF.

Gol de Kroos: Redução da maioridade penal

A eleição de Eduardo Cunha à presidência da Câmara Federal teve outros agravantes, como o Projeto de Lei que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos em crimes hediondos. Depois de diversas manobras, a proposta foi aprovada no plenário e agora tramita no Senado. Na prática, o projeto tem como alvo especialmente jovens negros e pobres da periferia.

(Outro) Gol de Kroos: Exclusão do debate sobre a questão de gênero no Plano Nacional de Educação

Também por meio da influência dos parlamentares conservadores, o termo “gênero” foi excluído do Plano Nacional de Educação. Agora, segundo as 20 metas que coordenam o setor, não se pode falar sobre temas como homossexualidade ou violência contra a mulher.

Gol de Özil: PL da terceirização

Depois de duas manobras, Cunha conseguiu aprovar o PL 4330/04, que flexibiliza as relações de trabalho. Isso significa que o que ficar acordado entre patrão e empregado será mais importante que as leis trabalhistas.

Gol de Schürrle: Vazamento de gravações do Lula

Durante as investigações da Lava-Jato, o ex-presidente Lula foi gravado em conversas pelo juiz Sérgio Moro. O magistrado divulgou os áudios, nos quais Lula falava com sindicalistas, deputados e até mesmo com a presidenta Dilma Rousseff. Em entrevista recente, ela afirmou que, em qualquer outro país do mundo, divulgar áudios de uma chefe de Estado seria considerado crime.

(Outro) Gol de Schürrle: Impeachment de Dilma

Deputados do PT votaram a favor da abertura do processo de cassação do mandato de Eduardo Cunha. Em um cenário de revanchismo, o peemedebista decidiu abrir o processo de impeachment contra Dilma. Depois de uma votação na Câmara – que virou piada internacional – e de outra votação no Senado, Dilma foi afastada de seu mandato. Em seu lugar, assumiu o presidente interino, Michel Temer, responsável por uma outra série de retrocessos.

Gol do brasileiro Oscar: Primavera das Mulheres

Diante dessa série de problemas, as mulheres brasileiras se uniram e foram às ruas. Os pedidos eram os mais variados, desde melhorias na saúde pública, legalização do aborto, passando por uma educação democrática e de qualidade para todos. Essas manifestações levaram ao aumento no número de denúncias de casos de assédio e violência, fortalecendo o empoderamento das mulheres.