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13 de agosto de 2012, 17h42

“Avenida Brasília”

Há pouco, quando passava pelo portão da casa para pegar meu carro e vir embora, senti-me atraído por palavrões ditos em voz alta, quase aos berros. Voltei e fiquei num ponto do terraço da casa de onde dava para ouvir com clareza o que ele dizia. Referia-se a mim. Esse não é um texto de […]

Há pouco, quando passava pelo portão da casa para pegar meu carro e vir embora, senti-me atraído por palavrões ditos em voz alta, quase aos berros.

Voltei e fiquei num ponto do terraço da casa de onde dava para ouvir com clareza o que ele dizia.

Referia-se a mim.

Esse não é um texto de João Emanuel Carneiro para “Avenida Brasil”. Não é uma passagem de algum thriller de Stephen King nem roteiro de Hitchcock. Esse eletrizante  trecho compõe a recente peça jornalística produzida por Ricardo Noblat.  A descrição quase cinematográfica da cena é pra deixar qualquer leitor com aquele friozinho na barriga.

Noblat foge da mesmice jornalística e inova: além de relatar os acontecimentos que compõem a notícia, ele próprio surge  nela como um dos seus principais protagonistas. É o criador da notícia virando a criatura num jornalismo-frankstein de tirar o fôlego.

Continuemos:

Reproduzo algumas coisas que ele disse (não necessariamente nessa ordem) e que guardei de memória:

– Esse rapaz é um canalha, um filho de uma “profissional do prazer adulto”

Repetiu filho da “profissional do prazer adulto” pelo menos cinco vezes. E foi adiante:

– Ele só fala mal de mim. Quero que ele que “pratique intercurso íntimo consigo próprio.” Eu me preparei muito mais do que ele para chegar a ministro do Supremo.

(…)

Por mais de cinco minutos, alternou os insultos que me dirigiu sem saber que eu o escutava:

– Filho da “profissonal do prazer adulto”, canalha.

(…)

Arrematou:

– Chupa! Meu “pintóffoli” é doce. Ele que chupe meu “pintóffoli”.

Antes de mais nada, esclareço que o texto original foi adaptado (leia o original). Os palavrões foram substituídos por termos mais amenos, mais condizentes com o tipo de jornalismo que pratico. Repetir os palavrões em seu blog foi uma deselegância desnecessária que Noblat poderia ter evitado, mas não conseguiu. Até porque, vamos combinar, ninguém é perfeito, né, gente?

Diante da fofoca publicada, a rede de boatos petistas passou o fim de semana afirmando nas redes sociais que tudo não passava de picuinha pessoal, que não era notícia relevante e que o bafão não é de interesse público.

Nada além de trololó.

Uma clara tentativa de intimidar a imprensa não é notícia? Como assim, gente? Estamos falando de um Ministro do STF xingando aos palavrões um jornalista de primeira linha da Globo.  O braço aparelhado do petismo no Judiciário mostrou sua face intimidatória e trabalha pra calar a imprensa. É um babado para estremecer a República. Como não publicar?

E daí que Noblat violou uma conversa particular? E daí que ele ficou atrás da moita pra ouvir a conversa? E daí, gente? Vocês queriam que ele guardasse tudo isso pra si? Ele, sendo vítima de um babado dessa envergadura, teria que se calar e omitir o que ouviu? Simplesemente impossível! Até parece que vocês não conhecem a piada do cara que transou com a Sharon Stone numa ilha deserta.

PS: Pessoas próximas de Tóffoli, que não querem ser identificadas, confirmam: é doce sim. Mais uma evidência de que Noblat falou a verdade.

 

 


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