Blog do Valdemar

política e teologia

03 de janeiro de 2019, 15h42

O Brasil vai entrar numa aventura sem data para acabar

O Brasil vai entrar numa aventura. Não necessariamente desconhecida, mas escolhida por boa parte dos brasileiros

Foto: Jornalistas Livres

O Brasil vai entrar numa aventura. Não necessariamente desconhecida, mas escolhida por boa parte dos brasileiros. Oficialmente começa no dia 01 de janeiro de 2019. Quando termina? Aventura que se preza não pode ser de toda previsível.

Majoritariamente, os brasileiros optaram:

por um grupo político

por um modo de dizer as coisas

por um modelo de convivência

por formas de combater o mal

por uma justiça de celebridades

por igrejas ricas e ríspidas

por governança definida pelo capital financeiro vadio

por restrições aos grupos identitários

por avacalhação ao pensamento divergente

por criminalização dos movimentos sociais

por ameaças aos Direitos Humanos

por militarização da escola

por política externa pendular, EUA/Israel

por relativização da democracia

por culto aos torturadores

por ar refrigerado nos porões da ditadura

por exílio dos intelectuais

por uma teologia da prosperidade inspirada em Mamom

por asfixia da universidade pública

por extermínio das vozes divergentes

por violência como semântica do poder

por famílias no modelo típico dos comerciais de margarinas

Veja também:  Gravidade, a voz feminina na poesia de Ellen Maria

por estética Barra da Tijuca com Estátua da Liberdade e tudo

por virilidade campeã à Filipe Mello

por lições sobre idiotices ou imbecilidades dadas por Olavo de Carvalho

por internacionalização da Amazônia

por redesenho das demarcações das terras indígenas

por ameaças ao STF com Jipes tração 4×4, força do motor distribuída nas 4 rodas

por articulações políticas forjadas por “morões” e “frotas”

por um parlamento liderado por celebridades das redes sociais

Majoritariamente, os brasileiros optaram:

por um mundo plano

por aquecimento global

por macheza

por armas letais

por fake news

por agrotóxico

por dissonâncias

por meritocracias

por privatizações

por Bolsonaros

Quanto aos que entrarão na aventura sem ter escolhido, mas como voto vencido:

que nossas previsões não se cumpram

que nossos medos se diluam

que nossos pré-conceitos nos envergonhem

que a nova realidade abale as nossas convicções

que a extrema-direita se diferencie do Fascismo e todo tipo de totalitarismo

A minha trilha sonora de 01 de janeiro de 2019 até a aventura terminar:

Clavo mi remo en el agua
Llevo tu remo en el mío
Creo que he visto una luz al otro lado del río

Veja também:  Ele não seguia regras...

El día le irá pudiendo poco a poco al frío
Creo que he visto una luz al otro lado del río

Sobre todo creo que no todo está perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima why yo, soy un vaso vacío

Oigo una voz que me llama casi un suspiro

Rema, rema, rema-a Rema, rema, rema-a

(Canção: Al otro lado del río, de Jorge Drexler)

Eu também creio ter visto a Luz do outro lado do Rio

Vou remar

Vou remar

Ofegante, quase desfalecendo

Vou remar

Vou remar

Vou remar

Nem tudo está perdido

Tanta lágrima, quanta lágrima, e eu? Eu sou um pote vazio

Vou chegar

Vou chegar

Vou chegar

Na Luz descubro gente que foi deixada lá do outro lado

Sobraram, vivem às margens

Eu sou um deles

Eu quero viver com eles

Neste tempo de aventura eu vou radicalizar

Vou seguir a Jesus mais de perto ainda

Atravessar o rio porque uma voz me chama, quase suspira

Veja também:  É melhor Bolsonaro cair? Apostas, binarismos e incertezas

Rema, rema, rema, rema

Ama, ama, ama, ama

Escuta, acolhe, toca, abraça

Ressuscita, revive, humaniza

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