Blog do Valdemar

política e teologia

05 de abril de 2013, 21h38

O fantasma que assombra a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara

Filipe Pereira (PSC-RJ) está no segundo mandato como deputado federal. Eleições de 2006: 51.062 votos. Eleições de 2010: 98.280 votos. Diácono da Igreja Assembleia de Deus da Convenção de Madureira. Ao pesquisar, descobri que o jovem deputado, que disputou o primeiro pleito com o nome de “Filipe Rio de Cara Nova”, é filho de Everaldo Dias Pereira, primeiro vice-presidente do Partido Social Cristão (PSC).
Quando governador do estado do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho instituiu o Programa Compartilhar Cesta do Cidadão, que ficou popularmente conhecido como “Cheque Cidadão” (Decreto n° 25681 de 5 de novembro de 1999) e cabia ao Gabinete Civil o cadastramento das famílias beneficiárias, bem como de entidades assistenciais e religiosas. Enquanto sub-chefe do Gabinete Civil no ano de 2000, Everaldo Dias Pereira era o responsável pela coordenação do “Cheque Cidadão”.
Esses fatos estão devidamente documentados no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, Processo n° 109.518-5/01, (Origem: Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, pedido de inspeção do Programa Cheque Cidadão pelo então deputado estadual Francisco Alencar) e Processo n° 102.347-7/02 (Inspeção Especial realizada na Secretaria de Ação Social e Cidadania, gestão do Programa Compartilhar Cesta Cidadão entre maio de 2000 e setembro de 2001).
No dia 25 de fevereiro de 2013, o governador Sérgio Cabral deu posse ao deputado de 28 anos, que assumiu a titularidade da Secretaria de Estado de Prevenção à Dependência Química. No Salão Nobre do Palácio Guanabara, entre autoridades e nobres convidados, o pai discreto: Everaldo Dias Pereira, ainda vice-presidente nacional do PSC. Na solenidade, a cara que apareceu foi a do bom moço deputado, mas nas coxias do Palácio Guanabara a voz que se faz ouvir é a do pai orgulhoso.
Há 500 anos que Cabral vive as turras com os índios aqui pelo Rio de Janeiro. Mas tratando-se de pajelança política, as portas estão abertas para o pentecostalismo caboclo de Everaldo Dias Pereira e do bispo Manoel Ferreira de Almeida.
Na Câmara dos Deputados, o rostinho bonito do Marco Feliciano (PSC-SP) é o que aparece na Comissão de Direitos Humanos e Minorias, mas nos meandros das coxias dos palácios de Brasília, a sombra, dizem os que acreditam em espectros, é a do discreto Everaldo Dias Pereira.