14 de novembro de 2018, 20h45

O fim da 1ª Guerra Mundial e o pensamento fascista hoje

Vinicius Sartorato, em novo artigo, diz: “Mais do que seus líderes, o pensamento fascista é a maior ameaça a um futuro comum”

Foto: Copyright do Fórum Econômico Mundial/Boris Baldinger

Com milhões de inocentes mortos nas duas guerras mundiais, seguimos vulneráveis ao populismo autoritário, que vende soluções mágicas e renova pensamentos arcaicos sobre “subjugados” como diria Wilhelm Reich.

Aos 100 anos do fim da 1ª Guerra Mundial, temos uma tarefa muito importante que é refletir sobre esse marco histórico e seus segredos. Se o século XIX apresentava novas filosofias políticas, baseadas nos princípios da revolução francesa – como a socialdemocracia; o século XX apresentou uma filosofia ultraconservadora, conhecida posteriormente como fascismo.

Estimulados por elites nacionais, sedentas por acumulação de riquezas a qualquer custo, o mundo conheceria, o estágio mais violento do capitalismo moderno. O imperialismo fascista como regime de superexploração, não só entre classes, mas também entre povos, se mostraria sob ideias social-darwinistas de superioridade entre classes, etnias, religiões, gêneros, que deixaria um resultado terrível para humanidade. A violência dos impérios, do nacionalismo, do capital ficou cravada na história, como bem ilustrou o historiador Eric Hobsbawn em seus livros clássicos.

Agora, com Trump, Bolsonaro, Le Pen, Salvini, entre outros, essas ideias voltam a aparecer. Mais do que seus líderes – que possivelmente passarão, o pensamento fascista é a maior ameaça ao futuro comum. Uma derrota eleitoral pontual de algum deles – como teve Trump nas eleições intermediárias, não significa uma derrota desse tipo de pensamento político.

A paz tão sonhada, o diálogo, a solidariedade entre os povos pensados na fundação do sistema ONU, em blocos regionais como a UE, bem como o combate à pobreza, ao racismo, ao sexismo e ao extremismo religioso seguem em perigo.

Aos 100 anos do fim da 1ª Guerra Mundial, temos a necessidade de contar às novas gerações sobre as guerras, seus personagens e fatos, mas principalmente destacar as ideias que conquistaram corações e mentes dos povos que apoiaram tais tragédias.

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