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09 de Maio de 2018, 16h39

O genocídio da população LGBT no Brasil

Em novo artigo, Marcelo Hailer diz que “as maiorias do Brasil estão sendo massacradas por uma minoria odiosa que acha que pode decidir quem deve morrer e quem deve viver”

Matheusa se soma a mais de 100 mortes ocorridas apenas em 2018 da população LGBT – Foto: Reprodução/Facebook

Na semana passada começou a circular pelas redes sociais memes que denunciavam o desaparecimento de Matheusa Passareli, estudante de Artes Visuais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). E o pior se confirmou: uma semana depois, o seu corpo foi encontrado queimado. Matheusa se soma a mais de 100 mortes ocorridas apenas em 2018 da população LGBT. E, a depender dos poderes políticos, tudo vai continuar como está.

De acordo com informações divulgadas pela Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA), Matheusa foi executada e, posteriormente, teve o seu corpo carbonizado, na Zona Norte da cidade de Rio de Janeiro. A Polícia Civil revelou que está investigando para chegar aos autores do crime.

Infelizmente, a trágica morte de Matheusa Passareli é um fato cotidiano no Brasil, país onde mais se mata LGBT no mundo. Segundo levantamento feito Grupo Gay da Bahia (GGB), em 2016 foram assassinadas 343 pessoas, em 2017, 445, e o ano de 2018 já contabiliza 142 casos de assassinatos. Vale destacar que a maioria das vítimas é travestis ou transexuais.

Os números são objetivos: há um extermínio da população LGBT no Brasil.

Apesar da triste estatística, pouco ou quase nada tem sido feito nos últimos anos no que diz respeito a políticas públicas que visem combater o ódio à comunidade LGBT no Brasil. É necessária uma ampla ação que envolva educação, cultura e segurança pública para que o número de assassinatos contra as pessoas LGBT diminua. Na educação para trabalhar a geração futura, na segurança pública para que possamos estancar a sangria do presente.

O Brasil, que possui a maior Parada LGBT do mundo, e que já foi vanguarda nas discussões em tono das questões LGBT, a partir de 2006, com o fortalecimento da bancada e agenda fundamentalistas, caiu no atraso e obscurantismo. Nenhum projeto de lei que tenha como conteúdo política voltada para as lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais avança no Congresso Nacional. E pior: nos últimos tempos com a complacência de parlamentares progressistas.

Estamos em ano de eleição – se é que o pleito será realizado – e já começam a pipocar na boca dos candidatos a sigla LGBT e a construção de um Brasil com todos. Ainda é pouco e neste ano precisamos avançar. Não adianta sorrir e dizer “sou contra a homofobia”, é necessário que se apresente políticas de fato. Por exemplo, no campo da educação: de que maneira os candidatos à presidência da República pretendem combater o Escola Sem Partido e colocar a questão LGBT na matriz nacional da educação de base?

Outra questão começa a surgir: a necessidade de uma aliança política com o chamado “centrão”, mas não podemos esquecer que foi justamente esse tipo de aliança que enterrou o pouco de política pública LGBT dos governos petistas.

O que os candidatos à presidência da República pretendem fazer para barrar o extermínio das pessoas LGBT?

E sobre o extermínio da população negra?

E das mulheres?

É preciso compreender que as maiorias do Brasil estão sendo massacradas por uma minoria odiosa que acha que pode decidir quem deve morrer e quem deve viver.