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27 de julho de 2013, 20h58

O Papa, Copérnico e as Vadias

O Papa parece não ter percebido ainda que o Humanismo Renascentista, após tirar Deus, colocou o 'Homem' (sic) no centro do Universo

Por Tiago Pimentel

Marcha das Vadias neste sábado (27) no Rio de Janeiro (Foto: Mídia Ninja)

O discurso do sumo pontífice, anteontem no Rio, não poderia ser mais surreal. Disse Ele que a fé, ao tirar-nos do centro de nós mesmos, restitui a Deus o centro de todas as coisas. Chamou essa #RevoluçãoDaFé de Revolução Copernicana (sic).

A referência não poderia ser mais irônica. O geocentrismo de Ptolomeu e Aristótles foi apenas adaptado por S. Tomás de Aquino às concepções e doutrinas do Cristianismo Medieval. O mundo permanecia no centro do Universo, o Papa, no centro do mundo, Deus, no centro do Papa.
Foi Copérnico quem (modernamente) hackeou esse geocentrismo tão arraigado na consciência coletiva medieval.
Instaura-se então o Tribunal do Santo Ofício da Santa Inquisição. Galileu é condenado, Giordano Bruno arde na fogueira justamente por defender a #RevoluçãoCopernicana de que agora nos fala o Papa.
O Papa parece não ter percebido ainda que o Humanismo Renascentista, após tirar Deus, colocou o ‘Homem’ (sic) no centro do Universo.
Mas já fomos muito mais adiante: Foi preciso esperar que o Feminismo Sessentista questionasse as noções de que Homens e as Mulheres são parte da mesma identidade abstrata, para substituí-la pela questão das diferenças de gênero.
Se Copérnico tirou a Terra do centro do Universo, Darwin tirou o Homem do centro da Natureza, Marx tirou o Homem do centro da História, Freud tirou o Homem do centro de si mesmo. Agora, felizmente, as #Vadias tiram o Homem do centro ‘humanidade’.
Mas o Papa ainda está nos tempos de Ptolomeu e Aristóteles, ainda está na Idade Média de S. Tomás de Aquino.
#RevoluçãoDeGênero
#RevoluçãoCopernicana
#OndeEstáGiordanoBruno?