04 de outubro de 2018, 08h52

O protesto e a pesquisa – Sim, devemos questionar os dados

Sempre! E não somente quando eles não nos favorecem

Foto: Mídia Ninja

A pesquisa do Ibope realizada nos dias 29 e 30, coincidente com o protesto do #elenao parece ser contraditória com a empiria.

 

Sim e não.

Sim, se imaginamos que o protesto produziu efeitos imediatos e voltados ao processo eleitoral.

Não, se entendemos que o protesto vem sendo organizado há muito mais tempo e que coesionou setores já descontentes.

Ademais, como já havia comentado na entrevista da Revista Fórum, o protesto não tinha objetivos imediatamente eleitorais.

 

Como ocorreu com as marchas de junho de 2013 e o Fora Collor.

(Para recordar: Em Sp, Maluf foi eleito, logo após o Fora Collor)

 

Ações de massa e resultados eleitorais não são variáveis imediatamente sincrônicas.

Porque não se trata do mesmo universo, nem do mesmo processo.

 

Muitas pessoas que vão às ruas protestar discordam do proprio sistema eleitoral e eventualmente, irão votar nulo ou branco.

 

E isto deslegitima o protesto?

Só para quem acha que o objetivo final de qualquer mobilização é ganhar a eleição.

 

Bolsonaro cresceu no auge das mobilizações pelo Lula Livre.

A percepção da mobilização do lado adversário, muitas vezes, coesiona a força contrária.

Isto não significa que a força do protesto perdeu intensidade, e sim que movimentou a política.

 

Ao que parece, o temor das mobilizações sociais fez com que o voto conservador migrasse e resolvesse concentrar forças no candidato que o senso comum considera ser o mais capaz de deter esta força.

E este candidato é o fascista da vez.

Ele tem 31%.

 

Do outro lado, há 69% a ser disputado.