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08 de novembro de 2016, 18h58

O PT e o seu Ponto Transição

Além de decidir sobre o seu próprio reordenamento, organizacional e político; ainda que sejam imprescindíveis ao processo sua autocrítica e sua reorganização; o PT precisará estudar profundamente a conjuntura de transição que envolve o país e o mundo. Seu processo interno de mudança deve ter como norte a confluência de grupos e ideias diferentes que contribuam para a formação de um projeto sólido o bastante para se manter num ambiente novo, desconhecido e desafiador ainda sem sua definição final, tanto no Brasil como no mundo Por Álvaro Maciel Se abrirmos para uma reflexão mais geral veremos que estamos em uma...

Além de decidir sobre o seu próprio reordenamento, organizacional e político; ainda que sejam imprescindíveis ao processo sua autocrítica e sua reorganização; o PT precisará estudar profundamente a conjuntura de transição que envolve o país e o mundo. Seu processo interno de mudança deve ter como norte a confluência de grupos e ideias diferentes que contribuam para a formação de um projeto sólido o bastante para se manter num ambiente novo, desconhecido e desafiador ainda sem sua definição final, tanto no Brasil como no mundo

Por Álvaro Maciel

Se abrirmos para uma reflexão mais geral veremos que estamos em uma transição global, provocada por esgotamentos de alguns sistemas, sem o surgimento de novos. A crise mundial é, portanto, previsível e calculável; e sua gestão uma questão da geopolítica. Devemos reconhecer que o Brasil vive seu momento próprio de transição, pelo qual passam os rearranjos de partidos políticos e outros sistemas. E para início de conversa temos que destacar a importância que teve o PT para o ciclo da política brasileira nos últimos 30 anos.

É muito delicado tentar prever o futuro do partido depois de seguidas e profundas mudanças conjunturais. Há quem diga que ele se extinguirá e quem diga que não. Há quem aposte que seu período de maior influência tenha passado, todavia há aqueles que ainda apostam que somente ele, o PT, tem condições de provocar uma nova mudança a favor do Estado Democrático de direito e promoção do bem estar social. E há o bloco dos que preferem aguardar os próximos acontecimentos no âmbito do governo federal, da política e da economia e das investigações relativas a Lava Jato, até o final do ano. Dependendo dos acontecimentos, só a partir de alguns resultados é que teremos realmente condições de construir uma projeção mais segura.

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Mas quem é petista sabe que o PT precisa decidir logo de que forma vai se organizar para prosseguir. Não haverá o tempo de espera considerado “mais seguro”. A disputa política e a própria sobrevivência exigirão que o partido se arrisque e escolha o seus próximos objetivos. O sucesso, ou insucesso, de sua reorganização estará diretamente ligado ao ambiente que seus quadros políticos criarão para a reflexão e avaliação dos processos anteriores. Esperamos que o debate interno e a seleção de ideias que possam definir os novos rumos do partido.

Logo, cuidar desse ambiente de transição é vital ao principal partido de esquerda da América Latina. Esse ambiente deverá estar aberto a apreciação de novas ideias e garantir as manifestações dos diversos setoriais que se organizam vinculados aos partido. Deverá, ainda, respeitar as premissas da liberdade, igualdade e organização para que se torne um espaço de concepção com real amplitude. Será o momento sagrado de reafirmar os anseios e bandeiras consagradas pela militância petista mais tradicional e que agregue as inovações conceituais e de práxis, sugeridas pelos mais jovens.

Institucionalmente, o PT se organizou a partir do convívio direto com as bases populares. Teve papel fundamental na criação e expansão de um campo democrático que mais tarde viria a ser tornar hegemônico, sem perder a sua pluralidade. Em pouco mais de três décadas vimos a história de um partido que constituiu protagonista da construção dos principais processos de inclusão social da história do país. Podemos acentuar a importância deste processo como sendo de vida ou morte de um partido que teve nas últimas décadas a função de estimular a participação da população excluída no processo de construção das políticas públicas.

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O ponto transição do PT nos instiga a pensar também na melhoria do uso das novas tecnologias e ferramentas de comunicação, pois, enquanto cuidou da função governar o partido deixou os cuidados com sua própria organização aquém de suas necessidades. Seus quadros terão, mais uma vez, que se posicionar diante desse enorme desafio de buscar entre o tradicional e o novo um ponto de coesão que una o partido em torno de um novo projeto organizacional e político.

Na vivência partidária, como em muitos outros segmentos, a identificação e compreensão dos erros devem ser o ponto de partida para combatê-los. Geralmente os erros são resultados de processos. Portanto é necessário descobrir quais os processos falhos deram margem ao surgimento dos erros cometidos. Logo, a reconstrução do PT implicará na avaliação de processos internos visando a eliminação ou correção dos mesmos. Para dar conta dessa tarefa terá que utilizar outros espaços, além de seus auditórios e salas de reuniões. E uma das principais tarefas será a avaliação do processo para escolha de seus quadros dirigentes, o PED, que não vem produzindo bons resultados. Deverá pensar também num formato mais horizontalizado para a sua vivência interna, já que sua estrutura verticalizada se distanciou das práticas mais libertárias, democráticas e progressistas de tomada de decisão.

Além de decidir sobre o seu próprio reordenamento, organizacional e político; ainda que sejam imprescindíveis ao processo sua autocrítica e sua reorganização; o PT precisará estudar profundamente a conjuntura de transição que envolve o país e o mundo. Seu processo interno de mudança deve ter como norte a confluência de grupos e ideias diferentes que contribuam para a formação de um projeto sólido o bastante para se manter num ambiente novo, desconhecido e desafiador ainda sem sua definição final, tanto no Brasil como no mundo.

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A classe política brasileira se precipitou ao reivindicar o Impeachment da presidente Dilma Housseff apenas pelo argumento da incompetência e da convicção do que se achava ser o melhor para o país. Feriu-se gravemente a nossa democracia. Tal golpe não foi contra o PT e sim contra o maior país da América Latina e seu povo. Somos o único país que apresentou ao mundo um modelo de desenvolvimento de crescimento econômico, com inclusão social e distribuição de renda. A partilha das nossas riquezas minerais com as nações mais desenvolvidas, em detrimentos ao bem estar social do povo brasileiro, e, a instauração de forma arbitrária do modelo de Estado Mínimo no Brasil é inaceitável.

Por fim, o PT não pode abrir mão desse legado. Foi durante os governos petistas que o Brasil foi retirado do mapa da fome e que a geração de empregos bateu todos recordes do continente Sul Americano. Fechamos 2014 com a menor taxa de desemprego já registrada na história do país. Na média do ano, ficaram sem trabalho apenas 4,8% dos brasileiros. Basta estudar a economia do planeta no mesmo período para se perceber o grande feito realizado pelo governo brasileiro nas gestões do PT. Sua principal tarefa atual é reorganizar a própria casa e se renovar para o enorme enfrentamento que está posto

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