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14 de Fevereiro de 2018, 10h45

O samba sempre lava a alma negra

A resistência existe nos fundamentos ancestrais e nas tradições que são controlados por mulheres negras e homens negros que controlam os espaços sagrados do samba

O samba resiste há mais de 100 anos no Brasil. Comunidades de samba, rodas de samba, blocos, cordões carnavalescos, escolas de samba são organizações populares centenárias que resistem há tempos e tempos contra o racismo e todas as opressões sociais.

O samba foi criminalizado, estetizado de forma esvaziada pela ideologia da mestiçagem, gourmetizado e apropriado pelos intelectuais brancos da bossa nova, transformado em produto de consumo pela indústria cultural.

Mas a resistência existe nos fundamentos ancestrais e nas tradições que são controlados por mulheres negras e homens negros que controlam os espaços sagrados do samba, imperceptíveis para quem não vivencia este cotidiano.

Por isto, o samba SEMPRE LAVA A ALMA NEGRA, não só pelo belíssimo desfile da Paraísos do Tuiuti e da grande Estação Primeira de Mangueira que fez uma crítica dura à prefeitura do Rio de Janeiro.

Mas pela sua resistência cotidiana que às vezes parece ser silenciosa e inexistente, mas a sabedoria se expressa, antes de tudo, de saber exatamente os momentos de levantar a voz (uma coisa que as/os mais jovens, levadas/os pela afoiteza, ansiedade e desejo de serem notadas/os, não sabem e se perdem em discussões estéreis pelas redes sociais).


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