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13 de setembro de 2007, 15h03

O Brasil como ele é

Em artigo, o presidente da Apeoesp critica a falta de valorização do professor e critica a estratégia de responsabilizar apenas o professor pelos resultados da educação

Em artigo, o presidente da Apeoesp critica a falta de valorização do professor e critica a estratégia de responsabilizar apenas o professor pelos resultados da educação Por Carlos Ramiro de Castro Tentar comparar a rede pública de ensino do Brasil com escolas dos Estados Unidos e da Inglaterra, como equivocadamente têm feito alguns Institutos de Pesquisa, é ignorar a complexa realidade social em que vivem os brasileiros. A situação chegou a tal ponto em nossas escolas que muitos estudantes têm dificuldades de aprendizagem por causa de deficiências de fácil tratamento, às vezes relacionadas à nutrição, outras a problemas visuais e...

Em artigo, o presidente da Apeoesp critica a falta de valorização do professor e critica a estratégia de responsabilizar apenas o professor pelos resultados da educação

Por Carlos Ramiro de Castro

Tentar comparar a rede pública de ensino do Brasil com escolas dos Estados Unidos e da Inglaterra, como equivocadamente têm feito alguns Institutos de Pesquisa, é ignorar a complexa realidade social em que vivem os brasileiros. A situação chegou a tal ponto em nossas escolas que muitos estudantes têm dificuldades de aprendizagem por causa de deficiências de fácil tratamento, às vezes relacionadas à nutrição, outras a problemas visuais e auditivos.

Somam-se a isso fatores amplamente denunciados, como salas superlotadas, falta de infra-estrutura, violência escolar em níveis alarmantes, falta de profissionais e baixos salários, que obrigam professores a múltiplas jornadas. A estratégia de bônus e gratificação para responsabilizar a equipe da escola pelas falhas no processo de ensino, já é adotada – sem sucesso – há 12 anos pelo Governo do Estado de São Paulo.

Bonificar e não conceder reajuste é como maquiar a realidade da escola pública: trata-se apenas de mais um engodo contra a sociedade. O que os professores precisam é de medidas consistentes de valorização profissional e salarial, que possam agregar mais qualidade ao processo de ensino-aprendizagem na rede estadual de ensino.

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A questão da baixa valorização da carreira do magistério é dramática e já está afastando os jovens da profissão. Segundo o Conselho Nacional de Educação, o Brasil já tem 240 mil professores a menos do que deveria no ensino médio, principalmente nas áreas de química, física, matemática e biologia. O quadro deve se agravar ainda mais nos próximos anos, com a redução da procura pelos cursos que levam à docência.

Uma verdadeira política educacional deve se assentar em diretrizes que precisam ser consolidadas nos Plano Estadual de Educação e também nos planos municipais para o setor. Falta continuidade nas políticas educacionais. Não é possível estabelecer metas sem que haja tais diretrizes. Mas, infelizmente o
estado de São Paulo ainda não tem um Plano Estadual de Educação. É que apesar de estar em tramitação na Assembléia Legislativa, desde 2003, o Plano Democrático e Emancipador – Proposta da Sociedade Paulista, elaborado por dezenas de entidades do Fórum Estadual em Defesa da Escola Pública, liderado pela APEOESP, ainda não foi aprovado.

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Acreditamos que uma política pública comprometida com a educação deve basear-se, antes de qualquer coisa, na preocupação com a qualidade de ensino oferecida aos nossos estudantes e não com estatísticas.

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