05 de julho de 2018, 19h59

Obrador anuncia medidas que surpreendem a direita e confundem a esquerda

Ministério com sete mulheres é uma das transformações do governo do novo presidente

Arte mostra a diversidade do ministério de López Obrador. Foto: Reprodução

Andrés Manuel López Obrador (Morena) anunciou nesta primeira semana após uma vitória acachapante, com 53% dos votos válidos no último domingo (1º), uma série de transformações na administração pública federal que colocaram na defensiva partidos e analistas de direita e ao mesmo tempo deixaram setores da esquerda preocupados.

O novo presidente mexicano que se recusa a ter conta em banco e cartão de crédito, está prometendo adotar a velha máxima do “menos é mais”.

Ele já anunciou que venderá o avião presidencial e obrigará todo o seu estafe a fazer as viagens em voos comerciais. Também já abriu mão da residência oficial da presidência da República e disse que continuará vivendo com a família na casa própria na Cidade do México. Ao mesmo tempo anunciou, num país dominado pelo narcotráfico, que não terá segurança particular. “O povo fará minha segurança”, acredita.

Outra medida pitoresca, na mesma linha do que alguns consideram austeridade e outros demagogia, Obrador pretende adotar novo horário da reunião com o ministério: seis da manhã.

A decisão remete a um episódio ocorrido com o presidente durante a campanha. Ele ganhou de um admirador um galo e não teve dúvidas, levou o regalo para o apartamento onde vive. Às cinco da manhã, toda a família acordou assustada. Era a ave cantando para o raiar de um novo dia.

Essas suas medidas, têm deixado alguns militantes e intelectuais progressistas preocupados, porque este tipo de ação pode levar o governo a uma rápida desmoralização se vier a ser atacado por conta de ações no campo moral. Suas escolhas remetem ao que levou Lenin Moreno, atual presidente do Equador, a romper com Rafael Correia e a levar o país para os braços da direita. Também fazem lembrar do início do primeiro mandato de Dilma quando ela incorporou a lógica da “faxina” como prioridade do mandato.

Mas se isso é polêmico no campo progressista, o anúncio de sete ministras mulheres se tornou um marco de um novo momento político que pode ter sido inaugurado por ele na América Latina. Elas ocuparão as seguintes pastas: Secretaria de Economia, Secretaria da Função Pública, Secretaria do Trabalho e da Previdência Social e Secretaria de Cultura, Secretaria de Governo, Secretaria de Desenvolvimento Social e Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais.

 

Ponto a ponto: a revolução de López Obrador na administração federal:

Venda do avião presidencial: O presidente promete vender o avião presidencial e toda a frota de aeronaves usadas para o transporte de ministros e demais ocupantes de cargos de alto escalão na administração pública. Todos deverão viajar em voos comerciais em compromissos oficiais.

Para ou continua: Na metade do mandato de seis anos irá convocar um referendo para que o povo mexicano decida se deve continuar no cargo ou não.

Nada de palácio: Obrador prometeu dispensar as mordomias da residência oficial da presidência da República para viver na casa própria. Até junho do ano que vem, continuará morando na Cidade do México para que o filho mais novo complete o ensino primário na mesma escola onde já estudava. A partir desta data, prometeu alugar uma casa próxima ao Palácio Nacional, sede do governo.

Mulheres no poder: Serão sete mulheres e nove homens além do presidente a posar para a foto oficial do novo governo, em 1º de dezembro de 2018, e em postos-chave da administração pública como a Secretaria de Economia e Secretaria da Previdência Social.

Quando o galo cantar: As reuniões ministeriais serão no começo do dia, às seis da manhã.

Mais arte, mais cultura Ao dispensar a “amaldiçoada” residência de Los Pinos (nome da moradia oficial da presidência da República), López Obrador promete transformar o local em um espaço para a arte.

Ocupa tudo!: Obrador promete descentralizar a administração federal. Ministérios e outros órgãos do governo sairão da capital federal e terão novas sedes por todo o país.