Imprensa livre e independente
27 de março de 2019, 08h18

OCDE pode barrar entrada do Brasil por celebração do golpe ordenada por Bolsonaro, dizem especialistas

Entrada é articulada junto a Donald Trump, mas outros países podem recusar pedido por enxergar apologia à ditadura e traço autoritário do governo brasileiro

Especialistas ouvidos pela revista Exame, em reportagem publicada nesta terça-feira (26), acreditam que a retomada das comemorações do golpe militar de 31 de março de 1964 podem dificultar a entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), proposta que vem sendo discutida por Jair Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump Há risco de que parte dos países-membros compreendam a ordem do chefe de Estado brasileiro às Forças Armadas como um ato antidemocrático e de desrespeito aos direitos humanos. A questão é pertinente porque a adesão de novos países depende do aval unânime dos...

Especialistas ouvidos pela revista Exame, em reportagem publicada nesta terça-feira (26), acreditam que a retomada das comemorações do golpe militar de 31 de março de 1964 podem dificultar a entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), proposta que vem sendo discutida por Jair Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Há risco de que parte dos países-membros compreendam a ordem do chefe de Estado brasileiro às Forças Armadas como um ato antidemocrático e de desrespeito aos direitos humanos.

A questão é pertinente porque a adesão de novos países depende do aval unânime dos que já integram o grupo. A França, um dos 37 membros da organização, é apontada por especialistas como um dos membros que pode resistir ao aceite.

Documento editado para marcar os 50 anos da OCDE , disponível no site da instituição, está definido que “os membros formam uma comunidade de nações comprometidas com os valores da democracia baseados no estado de direito e direitos humanos”.

Veja também:  Lava Jato: a conspiração que destruiu o Estado de Direito no Brasil

“Essas declarações [que celebram o golpe] colocam em risco todo o esforço econômico para a entrada do Brasil no órgão. É um elemento de risco político grave”, pontua um analista com conhecimento no assunto.

Carolina Pedroso, professora de Relações Internacionais da Unesp, pontua, que comprovadamente, o golpe militar violou os direitos humanos.

“O país pode se prejudicar se houver o entendimento de que essa apologia à ditadura é um traço autoritário do atual governo por parte dos demais membros”, diz.

Segundo o relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV), grupo que analisou por mais de dois anos as violações durante os 21 anos da Ditadura Militar, o período deixou ao menos 434 mortes e mais de 200 desaparecidos.

Nossa sucursal em Brasília já está em ação. A Fórum é o primeiro veículo a contratar jornalistas a partir de financiamento coletivo. E para continuar o trabalho precisamos do seu apoio. Saiba mais.

Você pode fazer o jornalismo da Fórum ser cada vez melhor

A Fórum nunca foi tão lida como atualmente. Ao mesmo tempo nunca publicou tanto conteúdo original e trabalhou com tantos colaboradores e colunistas. Ou seja, nossos recordes mensais de audiência são frutos de um enorme esforço para fazer um jornalismo posicionado a favor dos direitos, da democracia e dos movimentos sociais, mas que não seja panfletário e de baixa qualidade. Prezamos nossa credibilidade. Mesmo com todo esse sucesso não estamos satisfeitos.

Queremos melhorar nossa qualidade editorial e alcançar cada vez mais gente. Para isso precisamos de um número maior de sócios, que é a forma que encontramos para bancar parte do nosso projeto. Sócios já recebem uma newsletter exclusiva todas as manhãs e em julho terão uma área exclusiva.

Fique sócio e faça parte desta caminhada para que ela se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie a Fórum