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06 de dezembro de 2011, 17h30

Ocupa Rio e os conflitos das cidades

Enquanto o Festival de Cultura Digital.Br caminhava para o encerramento, no último domingo (4/12), o movimento Ocupa Rio, que estava desde o dia 22 de outubro, na Praça da Cinelândia, foi despejado. Segundo os acampados, foi uma ação conjunta da Guarda e da PM carioca e ocorreu na madrugada de domingo. Na página do Facebook, […]

(Foto: Facbook.com/ocupario)

Enquanto o Festival de Cultura Digital.Br caminhava para o encerramento, no último domingo (4/12), o movimento Ocupa Rio, que estava desde o dia 22 de outubro, na Praça da Cinelândia, foi despejado. Segundo os acampados, foi uma ação conjunta da Guarda e da PM carioca e ocorreu na madrugada de domingo. Na página do Facebook, eles contam que foram levadas as barracas com todos os pertences, “inclusive documentos pessoais que estavam dentro de roupas e mochilas que foram jogadas em separado em um caminhão”. Eles dizem ainda que “a biblioteca popular, formada por doações, também foi levada. Não houve apresentação de ordem judicial, inventário de apreensão, e nem sequer informações sobre o local de destino dos objetos”. Apesar da ação da PM, de surpresa e nesse horário, os manifestantes que estavam num espaço público, não reagiram.

O Ocupa Rio faz parte de um movimento que está em curso em diversas cidades do mundo, que questiona a concentração do poder e de renda na mão dos 1% que controlam as decisões para os outros 99%. Além disso, essas ocupações, pelo menos a de São Paulo e a do Rio, (as quais tive oportunidade de presenciar) colocam em discussão os próprios espaços públicos das cidades. Como destacou o espanhol Beranrdo Gutierrez, do 15M da Espanha, a realidade brasileira não é a mesma dos acampas daquele país.

O movimento se deparou com uma ocupação permanente que existe na região central nas duas capitais, das pessoas em situação de rua. E o melhor, se articulou com ela, trouxe-a para o movimento para construir junto. No Festival, ouvi de alguns membros do Ocupa Rio que os moradores diziam que lá era a praça mais segura pra eles.  Segundo Pedro Mendes, pesquisador, que estava no Festival e participa do Ocupa Rio, o acampamento se tornou um espaço de acolhida.

Nos primeiros dias, com quase 200 barracas, o clima era festivo, mas ao longo da ocupação de mais de um mês, todo o conflito social da cidade apareceu no acampamento. Em São Paulo, isso também ocorreu, onde a GCM é acusada de se aproveitar da situação como estratégia para expulsar naturalmente os manifestantes, que se mudaram para a Praça dos Ciclistas, na Av. Paulista.

No despejo, quem pôde comprovar residência, voltou para casa. Para os outros, a informação era de que seriam levados para um abrigo. Apesar da remoção, o Ocupa Rio vai continuar. “Levaram as barracas e as nossas coisas, mas o movimento continua, porque ele sou EU VOCÊ e o OUTRO, e nós somos muitos”, dizem.