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04 de abril de 2019, 16h32

ONU é notificada sobre situação de professor desafeto de Flávio Bolsonaro

Documento também foi encaminhado à OEA e à Corte Interamericana de Direitos Humanos e pede a suspensão do processo de exoneração de Pedro Mara, que precisou se afastar do Rio após ter sua vida investigada por acusado de matar Marielle Franco

Foto: Arquivo Pessoal
Por iniciativa do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio (Sepe-RJ), da Justiça Global (organização de defesa dos direitos humanos) e da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RJ), a Organização das Nações Unidas (ONU) foi notificada sobre a situação do professor da rede estadual de ensino do Rio, Pedro Mara, desafeto de Flávio Bolsonaro. No final de março, a Secretaria de Educação do estado abriu processo de exoneração do professor. A justificativa foi excesso de faltas no trabalho. No entanto, Pedro teve de se afastar do Rio por recomendações de segurança. Apurações da polícia...

Por iniciativa do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio (Sepe-RJ), da Justiça Global (organização de defesa dos direitos humanos) e da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RJ), a Organização das Nações Unidas (ONU) foi notificada sobre a situação do professor da rede estadual de ensino do Rio, Pedro Mara, desafeto de Flávio Bolsonaro.

No final de março, a Secretaria de Educação do estado abriu processo de exoneração do professor. A justificativa foi excesso de faltas no trabalho. No entanto, Pedro teve de se afastar do Rio por recomendações de segurança.

Apurações da polícia indicam que o professor teve sua vida investigada por Ronnie Lessa, um dos acusados de assassinato da ex-vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

“A Secretaria da Educação insistiu em tratar uma ameaça de morte, uma situação grave como esta como uma falta comum. Fizemos algumas reuniões ontem (3). E resolvemos recorrer não apenas à ONU. Entramos com um relato na Organização dos Estados Americanos (OEA) e na Corte Interamericana de Direitos Humanos. Vamos seguir esta campanha”, revela Pedro, em entrevista à Fórum.

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O professor destaca que foi notificado formalmente do processo de exoneração na segunda-feira (1). “Hoje (4) tive acesso ao inteiro teor e devo entregar minha defesa na próxima segunda (8)”, conta.

“A situação é bem difícil, por conta de todas as questões que já vêm acontecendo. Por exemplo, eu não posso mais andar. Moro num bairro do Rio e para ir até o Centro, geralmente, eu ia a pé ou de bicicleta. Hoje, com o protocolo de segurança, só posso me deslocar em transporte por aplicativo”, acrescenta.

Com isso, além da perda de liberdade, a questão financeira está prejudicando. “Isso levou a custos absurdos. Eu até coloquei a situação para o sindicato e eles, provavelmente, terão de fazer uma “vaquinha” online para poder arrecadar dinheiro, tanto para esses períodos extremos, em que a gente acaba gastando muito, quanto em função do meu salário, que já está cortado”.

Pedido formal

O documento levado às entidades internacionais informa que a possibilidade de Pedro perder suas funções públicas ocorre apesar de o secretário de Educação, Pedro Fernandes, ter recebido uma solicitação formal de afastamento do professor por 15 dias para que fossem tomadas providências em relação à segurança.

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“No entanto, mais uma vez Pedro (Mara) é objeto de perseguição estatal em razão de sua militância sindical, eis que o Secretário Estadual de Educação do Estado do Rio de Janeiro não reconheceu a gravidade da situação na qual Pedro está inserido e determinou a abertura de dois processos administrativos disciplinares contra ele, um para apurar o abandono do cargo público de professor e outro visando o seu afastamento da função de direção da Escola Estadual CIEP 210 (em Belford Roxo), assim como o afastou de suas atividades profissionais e suspendeu seu pagamento. Tudo isso como forma de ver sua militância sindical afetada”, ressalta a notificação do Sepe-RJ.

Flávio Bolsonaro

Em 2017, o professor também teve de deixar o Rio de Janeiro, depois de ser perseguido pelo então deputado estadual Flávio Bolsonaro. O filho do hoje presidente havia pedido investigação na Secretaria de Educação e no Ministério Público para expulsar Pedro da direção do Ciep 210 por suposta apologia à maconha. Foi justamente nessa época que Ronnie Lessa investigou sua vida, fato que consta no relatório anexo à investigação sobre a morte de Marielle.

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