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05 de abril de 2015, 10h42

Opinião: A lógica da guerra faz mais uma vítima inocente

Para todo infeliz treinado como um animal para “entrar na favela e deixar corpo no chão” tem um cidadão anuindo no conforto do seu lar, avalizando o sangue derramado nas ruas e nas redes sociais, sem sujar as suas mãos

Chega de culpar só o cozinheiro pela comida estragada sistematicamente servida. Está mais do que na hora dessa gente “de bem”, caridosa mas de coração pequeno, que ama a família mas se lixa para o povo, gente que se deleitaria se visse as favelas explodindo pelos ares, assumir o seu papel nisso tudo Por Adilson Filho, no Viomundo A Páscoa é também sinônimo de renovação e eu procuro ser uma pessoa esperançosa sempre. Talvez pessimista na análise, mas sempre otimista na capacidade de transformação. Essa triste sexta-feira da Paixão na cidade do Rio de Janeiro acabou mobilizando muita gente, e...

Chega de culpar só o cozinheiro pela comida estragada sistematicamente servida. Está mais do que na hora dessa gente “de bem”, caridosa mas de coração pequeno, que ama a família mas se lixa para o povo, gente que se deleitaria se visse as favelas explodindo pelos ares, assumir o seu papel nisso tudo

Por Adilson Filho, no Viomundo

A Páscoa é também sinônimo de renovação e eu procuro ser uma pessoa esperançosa sempre. Talvez pessimista na análise, mas sempre otimista na capacidade de transformação.

Essa triste sexta-feira da Paixão na cidade do Rio de Janeiro acabou mobilizando muita gente, e tenho certeza que irá contribuir para uma mudança de paradigma numa política de segurança pública fracassada na sua gênese.

Para tanto, a primeira coisa que precisa estar assimilada definitivamente é a lógica da “guerra” na qual ela se sustenta.

Há um inimigo eleito e declarado, mantido em confinamento em seus locais de moradia que se assemelham, hoje, a verdadeiros “campos de concentração”.

A segunda coisa, que está diretamente associada a primeira, é que momentos como esse nos ajudam a perceber que algumas instituições do Estado operam dentro de uma lógica particular para garantia dos interesses de uma parte da sociedade.

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Vou elencar três fundamentais que se conectam harmonicamente para atuar nesse sentido: o Poder Judiciário, o poder midiático e a Polícia Militar.

As leis aqui são feitas para garantir a manutenção de privilégios e, na falta de delas, inventa-se, faz-se contorcionismo jurídico o diabo a quatro.

A mídia produz informações também para um segmento da sociedade, notícias entretenimento e produção de consensos, tudo para algumas pessoas consumirem e replicarem.

Por fim, a PM age para fazer a segurança dessa pequena parcela da sociedade. Essa distorção institucional, é que fatia o poder na nossa sociedade e orienta nosso percurso civilizatório desde sempre.

Posto isso, é fundamental perceber que a demonização da Polícia Militar por parte da esquerda, em nada colaborará para o problema gravíssimo da segurança pública no Rio de Janeiro.

Ora, se a polícia é treinada diariamente para fazer a segurança de uma parte da sociedade, o que mais se poderia esperar dela? Ela fará o que for preciso para isso, inclusive assassinar crianças, pois sabe que será aplaudida no final.

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Ela está a serviço do “grupo” reeleito com quase a totalidade dos votos daqueles que aprovam essa política de extermínio endossada pelas organizações Globo — que hoje, muito mais que o próprio homem de apelido ridículo, é a maior representante política desse segmento social.

Quem explodiu o crânio do menino Eduardo Jesus ‘foram’ os que aplaudiram o espancamento daquele rapaz no protesto no centro da cidade, os que vibraram, a cada rodada de chope, nas mesas de bar, com a ocupação televisionada do Alemã e todos os que lucraram bastante com isso, como Luciano Huck e José Junior.

Eu espero que essa tragédia seja um bom momento para as pessoas que tiveram orgasmos na cadeira do cinema a cada tapa na cara, a cada prática requintada de tortura do Capitão Nascimento, refletirem se desejam continuar a deitar todos os dias suas cabeças no travesseiro sabendo que estão contribuindo, cada um a sua maneira, para todas essas mortes absurdas que ocorrem há décadas na nossa cidade.

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Chega de culpar só o cozinheiro pela comida estragada sistematicamente servida. Está mais do que na hora dessa gente “de bem”, caridosa mas de coração pequeno, que ama a família mas se lixa para o povo, gente que se deleitaria se visse as favelas explodindo pelos ares, assumir o seu papel nisso tudo.

Assumir que são os principais financiadores ideológicos de uma guerra absurda lançando mão do poder, da voz e da influência que tem nas decisões do Estado.

Para todo infeliz treinado como um animal para “entrar na favela e deixar corpo no chão” tem um cidadão anuindo no conforto do seu lar, avalizando o sangue derramado nas ruas e nas redes sociais, sem sujar as suas mãos.

O menino Eduardo de Jesus foi condenado à morte e a sua família, hoje, não terá um feliz domingo de Páscoa, não haverá ovinhos de chocolate para procurar pela casa; enquanto isso, segue a ceia farta de piadas sem graça e de sorrisos cínicos na mesa de cada Pôncio Pilatos desse país.

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