Vahan Agopyan: uma conversa com o reitor da USP – Por Ana Beatriz Prudente

Responsável pela mais prestigiada universidade da América Latina falou sobre vários assuntos, mas principalmente de inclusão e dos desafios em tempos de pandemia

Foto: O reitor da USP, Vahan Agopyan (no púlpito, à direita)
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A Universidade de São Paulo é a instituição de pesquisa e Ensino Superior mais poderosa da América Latina. Ouso dizer que até com mais relevância em âmbito internacional. Quando pesquisadores do mundo inteiro vão estudar a América Latina, é natural que busquem pesquisas, materiais e referências ligadas à USP e afirmar isso não é pedantismo ou exagero. Isso não quer dizer que outras universidades brasileiras não sejam importantes ou não se destaquem em diversos segmentos, mas é um fato que a marca USP tem uma força internacional difícil de calcular. Assim, quando falamos em uma carreira em gestão universitária, naturalmente o cargo mais almejado é o de reitor da USP.

O grande diferencial do corpo docente da USP é ser formado por grandes pesquisadores em áreas específicas. Cada professor possui um portfólio de pesquisas e estudos muito profundo dentro da sua especialidade. Isso faz com que esse professorado seja de alto nível. Dito isso, gerir a Universidade de São Paulo é ocupar o cargo mais importante de uma hierarquia universitária.

Imagine ser um reitor onde, dentro da hierarquia, abaixo de você estão os maiores pesquisadores da América Latina. É até difícil mensurar a responsabilidade de ocupar este papel, um cargo de extrema complexidade. É indiscutível que ser reitor da USP é aguentar ondas de oposição muito fortes, pois a gestão de reitores é analisada por pessoas bem preparadas, que trarão suas críticas muito bem elaboradas, com argumentos muito fortes. São pesquisadores que, para desenvolver bem os seus trabalhos de pesquisa, vão trazer suas exigências de infraestrutura e de tudo o que é necessário para o bom exercício da sua atividade de pesquisa. Eles vão constantemente apresentar suas necessidades.

A USP também tem um corpo discente com alunos que passam por um processo seletivo rigoroso e chegam na universidade com uma bagagem muito acima da média dos jovens brasileiros. É um estudante universitário com senso crítico muito apurado e que, ao longo da sua graduação, será educado por esses cientistas de ponta. Resumindo, o reitor terá uma posição constante muito robusta e sofisticada.  Podemos dizer em um português mais simples e popular: ser reitor da USP é ser vidraça e estar preparado para receber pedras o tempo todo.

Nos últimos anos, a Universidade de São Paulo passou a ter mais diversidade. O aluno branco de classe alta, que era o perfil padrão do aluno da USP até algum tempo atrás, hoje já não é tão recorrente. Atualmente a universidade recebe jovens com diversas bagagens, classes sociais, perfis étnicos e ideológicos e histórias familiares. A nova realidade desta universidade heterogênea faz com que haja muito mais riquezas nas pesquisas produzidas e no conhecimento que ali circula, que passa a receber novos olhares e pontos de vista. Mas, as críticas feitas à gestão da universidade também passam a ser mais complexas e elaboradas, de um novo perfil de alunado que chega com novas necessidades e passa a apontar novas pautas.

Podemos assim afirmar que escolher ser reitor da Universidade de São Paulo no século XXI exige muita coragem. A USP é um mundo, uma comunidade científica. Talvez até mais complexa no ponto de vista de gestão do que muitas cidades.

E gerir toda essa riqueza em meio a uma pandemia e ainda ter que lutar pela manutenção da autonomia universitária, dá pra imaginar? Este foi o desafio do atual reitor da USP, professor Vahan Agopyan.

Vahan Agopyan, reitor da USP (Reprodução)

Ser reitor da Universidade de São Paulo não é só prestar contas para a comunidade USP, mas sim para toda a sociedade brasileira, pois a universidade como produtora de pesquisa exerce um papel fundamental na criação de políticas públicas. Durante a pandemia, ela assumiu um protagonismo de pesquisas fundamentais para o combate à Covid-19 auxiliando na criação de tecnologias médicas, pesquisa pró-vacinas e pesquisas farmacêuticas.

Então, podemos dizer que a sociedade brasileira olha hoje para a Universidade de São Paulo como nunca olhou antes, pois ela espera respostas e tem fé que a USP trará caminhos e propostas para sairmos deste apocalipse que é a crise sanitária da pandemia no Brasil.

Assim tem sido a saga de Vahan Agopyan, que conseguiu administrar a Universidade de São Paulo no meio deste caos, lembrando que a USP sempre foi uma instituição de cursos presenciais, que de uma hora para outra tiveram que ser transformados em cursos à distância, o que foi uma virada de chave muito violenta, que exigiu um olhar pedagógico e muito cuidadoso da gestão de Vahan. Comparando à catástrofe que poderia ter sido, mas não foi, podemos notar a competência desta gestão na condição da pandemia e dentro de uma universidade.

Ao longo de sua gestão, Vahan também conseguiu algo inédito para um reitor: estabelecer relações ou pelo menos tentativas de diálogo com as diversas unidades da USP. É importante entender que a USP é um espaço de disputas políticas. Há muitos grupos políticos dentro da universidade, que estão em constante confronto e a reitoria é um espaço que todos eles almejam. Então, é muito difícil para um reitor conseguir estabelecer um diálogo com todos esses grupos e com os diretores das unidades. É evidente que a gestão Vahan fez esse movimento de tentar uma aproximação e foi uma gestão muito diplomática.

Mesmo com a suspensão das aulas presenciais em março de 2020, na gestão de Vahan a USP deu continuidade a diversos projetos voltados para a modernização de sua estrutura administrativa e de fomento à parcerias, realizando reuniões virtuais que tinham o objetivo de debater essas e outras questões importantes sobre o andamento da gestão em tempos de pandemia. O tema autonomia administrativo-financeira também fez parte dessas discussões dos colegiados, já que a USP esteve sob a ameaça de cortes em seu orçamento pelo governo do Estado.

Em 2019 foi um ano especial para a gestão de Vahan e para a Universidade de São Paulo como um todo, pois foi comemorado o índice recorde de inclusão social com o maior número de ingressantes em seus cursos de graduação oriundos de escolas públicas e pretos, pardos e indígenas (PPI) até então. Além disso, neste ano também foram comemorados os 30 anos da autonomia das três universidades estaduais paulistas e o aniversário de criação de muitas unidades de ensino, institutos e museus da USP.

Sob a gestão de Vahan, em 2018, a USP também foi uma das vencedoras do “Prêmio Melhores Universidades 2018?, concedido anualmente pelo Guia do Estudante, vencendo na categoria “Universidade do Ano – Escolas Públicas”. A Universidade arrebatou sete dos oito prêmios nas áreas de Administração, Negócios e Serviços; Arte e Design; Ciências Biológicas e da Terra; Ciências Exatas e Informática; Comunicação e Informação; Engenharia de Produção; e Saúde e Bem-Estar.

Tive o prazer de conversar com esta figura importante para o mundo acadêmico. Engenheiro civil formado pela Escola Politécnica da USP, mestre em Engenharia Urbana e de Construções Civis pela mesma instituição e PhD pela Universidade de Londres King´s College. Professor da Universidade de São Paulo desde 1975, foi vice-diretor e diretor da Poli e diretor-presidente do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). Também foi pró-reitor de Pós-Graduação da USP entre 2010 e 2014. O reitor Vahan Agopyan.

Ana Beatriz Prudente: Professor, sem dúvida alguma, gerir uma universidade do tamanho da Universidade de São Paulo é um grande desafio e eu fico imaginando o quanto esse desafio aumenta durante uma pandemia, que é a primeira da minha geração e a primeira em escala global. Eu gostaria que o senhor compartilhasse comigo e com os leitores este desafio. Como foi para o senhor, um acadêmico experiente, se deparar com essa pandemia?

Vahan Agopyan: Eu acho que nós temos que entender que esta pandemia sem dúvida é única, porque ela é global. Ela está em toda parte do mundo, diferente do que nós tivemos nos séculos anteriores em que a doença (ou a peste, como eles falavam) se deslocava. Esta não, ela abrangeu o mundo todo, o que é um grande problema. Agora explicando um pouco sobre a gestão das universidades públicas brasileiras, que é diferente da gestão das universidades pública na Europa Continental: a cultura latino-americana, principalmente depois da reforma da Universidade de Córdula, há 103 anos atrás, criou-se uma estrutura universitária em que o reitor (ou os dirigentes no geral) não estão em uma hierarquia, mas possuem uma responsabilidade em que o grande papel do dirigente é estimular, convencer e cooptar a comunidade para suas ideias. É diferente de uma Universidade Norte-Americana, Anglo-saxônica, ou da Oceania, em que o reitor é o chefe e ponto final. Não existe debate, o reitor discute as partes teóricas e não administrativa. Eu digo isso porque mesmo no Equador o reitor é escolhido pelo presidente e o reitor escolhe toda a equipe, quer dizer todos os diretores das unidades são escolhidos pelo reitor. Mas no resto da América Latina nós temos essa cultura em que a Universidade é o locus onde as discussões são muito ricas e por isso não há uma hierarquia onde o reitor manda e cobra as pessoas da forma que ele quiser. Ou seja, não posso obrigar um professor a realizar um estudo ou dar um parecer. Nós não temos esse tipo de poder, isto é típico da América Latina. Isso demonstra que a gestão de uma universidade tem uma peculiaridade que é bem mais complicada. Eu tenho que convencer o conselho universitário das minhas ideias para que as coisas saiam. E quando você tem uma pandemia você tem tudo sendo invertido, ou seja, para uma universidade de pesquisa como a USP, o fato de não termos os alunos no campus é terrível, pois o que nos destaca é o aluno ter sua formação no ambiente de pesquisa e estamos desde março do ano passado frustrando isso, então nossos alunos não têm essa oportunidade.

Com isso, as nossas pesquisas que não são da área da saúde elas estão indo mais lentamente. Nossos alunos de pós-graduação, que tem trabalho experimental ou de campo, não estão conseguindo concluir os seus estudos ou estão concluindo de maneira mais frustrante. Então, a pandemia começou a gerar problemas acadêmicos que nós não tínhamos e obviamente, problemas de gestão que são muito mais graves, pois você tenta manter toda a administração remotamente e tem um desgaste maior. Por incrível que pareça, Ana Beatriz, eu assino eletronicamente inclusive os diplomas, mas alguns setores do poder Judiciário obrigam que eu assine em papel, então todos os processos na Procuradoria-geral são impressos, ou eu vou pra USP, ou alguém traz pra minha casa para eu rubricar todas as páginas e assinar. Então, nós temos uma dificuldade de gestão muito mais complicada. A própria assinatura eletrônica de um documento exige a ação de pelo menos quatro funcionários da USP até chegar na imprensa oficial e eu poder assinar. Isso tudo dificulta. Mas o que eu estou preocupado não são as dificuldades administrativas que são enormes, mas sim as dificuldades acadêmicas.

Ana Beatriz Prudente: A Universidade de São Paulo vive um momento histórico muito importante com o estabelecimento das cotas. Nós temos uma diversidade chegando de fato na universidade, uma vez que, como o senhor sabe, vivemos em uma sociedade brasileira excludente, na qual uma certa parcela da população tem mais difícil acesso à universidade pública. O senhor pegou uma pandemia e também a chegada de um novo perfil de aluno, que vai sim precisar de políticas universitárias de apoio para conseguir se manter na universidade. Eu gostaria que o senhor falasse um pouco sobre esse momento histórico da USP e sobre seus desafios como gestor neste processo de adaptar a USP para essa realidade de diversidade que veio pra ficar na Universidade de São Paulo.

Vahan Agopyan: São momentos muito importantes, e aliás eu quero deixar claro que, primeiro, a questão das cotas não é assistencialismo. Nós estamos dando oportunidade para jovens que não têm condições de se preparar para vestibulares como a FUVEST, ou o ENEM. Isto tem que ficar muito claro, porque sempre tem alguém que fala “estão pegando alunos mais fracos”, o que não é o caso. São jovens talentosos, com cabeças privilegiadas, só que eles não têm oportunidade de se preparar para o vestibular. A professora Marta Arretche, com o apoio do Itaú Social, fez um estudo (que os resultados devem sair nas próximas semanas) onde sorteou 80 alunos cotistas por raça, e esses alunos estão recebendo uma bolsa com a obrigação de se dedicar aos estudos. Muitos deles são arrimos de família, então precisam de recursos e essas bolsas suprem essas necessidades. Após o primeiro semestre, esses alunos já estavam tranquilos e após o segundo semestre eles já estavam em um quartil superior. Então isto é algo que estou batendo o martelo para começarmos a divulgar, pois tem até ex-reitor me criticando sobre isso. E não, não estamos fazendo assistencialismo, pelo contrário, estamos conseguindo atrair para a universidade jovens talentosos que não tiveram oportunidade de se preparar para o vestibular. Isso é um ponto fundamental. Também fica claro que esses jovens talentosos precisam sim de mais apoio para inclusão e isto faz com que a universidade tenha que mudar um pouco suas ações. A USP com certeza é a universidade que mais investe em inclusão no paísper capita e internacionalé uma das maiores. Nosso grande desafio hoje é sermos mais objetivos neste investimento por inclusão. Nós investimos, se você colocar tudo o que fazemos incluindo alimentação, mais de 200 milhões por ano. O que é um valor muito considerável por aluno. Nós temos alunos que precisam de apoio e nós precisamos reverter esses recursos que não são poucos de uma maneira eficiente. Nos últimos dez anos, apesar de toda crise financeira da universidade, os recursos para assistência estudantil aumentaram e precisamos direcioná-los para os alunos que realmente precisam de apoio. E o estudo da professora Marta Arretche comprova. Os alunos que foram sorteados(e eu insisto que foi sorteio) demonstraram que se dermos condições para esses jovens, eles são muito talentosos.

Ana Beatriz Prudente: Eu tenho um carinho especial pela comunidade armênia por que tive minha primeira infância no Bom Retiro, onde tive o privilégio de ter vizinhos armênios, em uma época que o bairro possuía uma efervescência cultural muito rica, onde em uma mesma rua você podia encontrar judeus ortodoxos, armênios, negros e italianos. Isto me possibilitou ter amigos armênios, que carrego para a vida toda, e acompanho com muita atenção todas as questões internacionais que envolvem o povo armênio e inclusive suas pautas aqui no Brasil. E eu sei do orgulho que esta comunidade teve ao ter um reitor da USP da comunidade armênia. Algumas amigas armênias que eu tenho ficaram emocionadas (até mesmo algumas que não estudaram na USP). Então eu sei como esta representatividade é importante. Gostaria de ouvir do senhor sobre o peso desta representatividade, pois é uma comunidade muito unida e também um pouco sobre este cenário internacional de hoje, sobre a diáspora armênia e as questões envolvendo o povo armênio.

Vahan  Agopyan: Um ponto importante é a questão da rememoração do genocídio. É muito importante que a história seja contada para gerações novas para que ela não se repita. Aliás, isso foi falado recentemente até na Alemanha. Tem que se contar porque que aconteceu na Alemanha o Holocausto, porque no fundo não foi somente meia dúzia de nazistas que o provocaram, eles conseguiram motivar o povo para esse Holocausto e no começo do século passado para o genocídio. E lamentavelmente isso vem se repetindo: teve o genocídio, teve o Holocausto e o século XX acabou com um novo genocídio na antiga Iugoslávia, onde eram cristãos matando os muçulmanos. Este fardo é muito importante, e essa lembrança do povo armênio unido em torno de ter sofrido o genocídio, todos os amigos armênios que você tem certamente são descentes de sobreviventes do genocídio, sem nenhuma dúvida. Isso faz com que o povo acabe sendo muito mais aguerrido de manter suas tradições e histórias, e essa história tem que ser explicada e alertada. Mas elas continuam...

Ano passado, estávamos no meio da pandemia quando, novamente, indiretamente o Azerbaijão, com apoio da Turquia, retirou uma parte da Histórica Armênia. Não foi algo territorial, foi a destruição da tradição armênia. Com isso, notamos que não são apenas questões territorialistas, é uma questão de agressão à sua história.

Particularmente, eu sou bastante universal. Eu sou realmente descendente dos sobreviventes do genocídio, nasci em Istambul (que naquela época tinha sido capital da Turquia, então os armênios que conseguiam chegar lá não eram massacrados, porque tinha o consulado). Eu vim ao Brasil com quatro anos e meio fugindo das perseguições porque infelizmente em 1955 houve mais um levante contra as minorias cristãs (armênios e gregos) na Turquia. Então, novamente uma grande leva saiu da Turquia em 55 e 56. Eu cresci no Brasil, portanto a minha cabeça é de brasileiro e morei na Inglaterra durante o meu doutorado. A minha esposa é nisei...Então eu me dou tranquilamente com todos os povos, raças e culturas. E acho que essa é a riqueza do mundo: entendermos e principalmente respeitarmos todas as pessoas, independente da sua raça, cultura, religião, das suas opções políticas, da sua orientação sexual... Isso tudo faz com que nós possamos viver em uma sociedade mais integrada. Infelizmente no século XXI estamos tendo um retrocesso, não só no Brasil como em vários países, onde minorias mais agressivas estão começando a aparecer, isso é muito ruim e perigoso se nós não soubermos lidar com isso.

Vahan Agopyan com a família (Arquivo pessoal)

Ana Beatriz Prudente:  Para finalizar a nossa entrevista, eu gostaria que o senhor, hoje reitor da Universidade de São Paulo, deixasse uma mensagem para os alunos neste momento de pandemia e que conselho você daria para um futuro reitor?

Vahan Agopyan:  Para os alunos eu vou deixar aquilo que já gravei e ontem foi apresentado para os ingressantes: Sim, nós estamos no meio de uma pandemia. Sim, nós não estamos nas melhores condições que gostaríamos de ter. Não estamos conseguindo criar a convivência academia que é essencial para a formação dos alunos, mas nós mostramos resiliência. Conseguimos superar todas as dificuldades. Uma boa parte dos nossos alunos que ia se formar, já se formou, mais de 70%, e esperamos até o final de abril conseguir formar mais 20% ou 25%. Nós estamos, como uma instituição e como uma comunidade, fazendo a nossa parte em todos os sentidos, inclusive desenvolvendo pesquisas. Os resultados dessas pesquisas já estão em uso, como os mais de 300 ventiladores sendo usados de Porto Alegre até Manaus, salvando vidas. Nós temos colchões anatômicos para minimizar a dor daqueles que estão sendo entubados já em produção industrial e fomos uma das primeiras instituições que conseguiu através do genoma entender melhor o vírus. Na verdade, nós conseguimos reproduzir o vírus em laboratório para pesquisa. Então nós estamos realmente dando uma resposta fantástica para a sociedade. Os jovens que estão na USP estão vivenciando isso, infelizmente não em sua plenitude. Portanto, temos que ter orgulho da nossa instituição e alegria de estarmos fazendo tudo isso. O que o jovem pode fazer é aproveitar a universidade ao máximo: não somente assistir às aulas e estudar, mas aproveitar as atividades culturais e, quando possível (espero que no segundo semestre), aproveitar as atividades esportivas, interagir com seus colegas e se preparar para ser não apenas um bom profissional, mas um bom cidadão.

E para o meu sucessor ou sucessora, que deve assumir no dia 25 de janeiro do ano que vem, eu desejo sucesso, porque eu lamentavelmente passei a minha primeira gestão com dificuldades enormes financeiras e nesta na segunda, já como reitor, há praticamente um ano e meio estamos convivendo com uma pandemia, tivemos problemas seríssimos contra nossa autonomia nos dois anos anteriores, então foi um período bastante incerto. Mas, eu espero que meu sucessor ou sucessora, agora com as finanças mais em dia e espero que com a pandemia superada, possa conseguir fazer uma gestão cujo objetivo maior seja a melhoria da qualidade do que nós fazemos para atender a demanda da nossa sociedade.

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.