SETOR ESTRATÉGICO

Rosangela Buzanelli: "Declínio do pré-sal no Sudeste obriga Petrobras a testar margem equatorial", Por Luiz Carlos Azenha

O tema se tornou polêmico depois que a mídia comercial turbinou o noticiário sobre disputas internas no governo Lula colocando de um lado o líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues — que representa o Amapá e defende a exploração petrolífera — e de outro a ministra do Meio Ambiente Marina Silva

Rosangela Buzanelli.Créditos: Rprodução/rosangelabuzanelli.com.br
Escrito en OPINIÃO el

A engenheira geóloga Rosangela Buzanelli prevê que a partir de 2030 os poços do pré-sal no Sudeste brasileiro começarão a ter queda de produção e, por isso, a Petrobras precisa furar a Margem Equatorial para descobrir se tem potencial petrolífero e repor suas reservas.

As reservas de uma empresa petrolífera são essenciais para o próprio financiamento de suas atividades, já que são apresentadas como garantia.

O tema se tornou polêmico depois que a mídia comercial turbinou o noticiário sobre disputas internas no governo Lula. Por exemplo, colocando de um lado o líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues — que representa o Amapá e defende a exploração petrolífera — e de outro a ministra do Meio Ambiente Marina Silva.

Numa entrevista ao Fórum Sindical, conduzido pela historiadora Conceição Oliveira, Rosangela disse que vê exagero na polêmica.

Representante eleita pelos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobras, composto por 11 integrantes, ela espera em breve uma solução para os questionamentos feitos pelo Ibama em relação ao projeto da Petrobras.

Antiga colaboradora do Greenpeace, Rosangela diz que está repensando seu apoio à ONG, desde que recebeu um e-mail dizendo que por conta das ações dos ambientalistas os corais da foz do rio Amazonas teriam sido salvos.

O poço exploratório que a Petrobras pretende furar na região, diz Rosangela, fica a 500 quilômetros de Belém e a 175 quilômetros da costa do Amapá. Portanto, distante dos corais.

Trata-se de um único poço, com o objetivo de definir se de fato existe petróleo na região.

Atendendo ao Ibama, que achou insuficiente uma única base de resgate de animais afetados por eventual vazamento de petróleo, a Petrobras vai construir outro, no Oiapoque.

Além disso, vai manter 6 barcos de resgate em alerta permanente — em toda a bacia de Campos, com dezenas de poços, são sete barcos.

Rosangela sustenta que a Petrobras já explora petróleo no interior da Amazônia, sem ter causado danos ambientais.

Diz que, em caso da descoberta de reservas, uma nova fase de licenciamento seria aberta, com o cumprimento de novas exigências ambientais.

Por enquanto, ela enfatiza, trata-se de um único poço, o FZA-M-59.

As perspectivas são boas. A Guiana tem hoje reservas estimadas em 11 bilhões de barris. A produção existente está nas mãos da estadunidense Exxon Mobil. O Suriname tem reservas estimadas em 4 bilhões de barris, mas só começa a produzir em 2025.

Só a Guiana Francesa ainda não explorou petróleo na região. É território francês. Uma descoberta significativa poderia impulsionar movimento separatista local.

A chamada Margem Equatorial brasileira compreende cinco bacias sedimentares distintas: Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar.

As especulações de que se trata de uma região com alto potencial petrolífero são antigas. A Margem Equatorial um dia foi “encaixada” no continente africano, justamente em territórios que hoje compreendem países que são grandes produtores de petróleo, da Nigéria a Angola.

Rosangela Buzanelli afirma que o poço exploratório da Petrobras é essencial para o futuro da empresa, já que a incorporação de novas reservas é um processo que leva mais de dez anos.

Na hipótese de ser encontrado petróleo em grande quantidade, Rosangela defende que se crie um novo marco exploratório específico para a região, com prioridade total dada à Petrobras, recompra de ações por parte da União e compromisso de que parte significativa dos lucros seja revertido para as populações locais  —e não para os acionistas internacionais, como aconteceu durante o governo Bolsonaro.

Assista a entrevista na íntegra a seguir