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11 de abril de 2012, 12h45

Organizações pedem revisão de políticas antidrogas para reduzir violência contra a mulher

Estudos recentes provam que a taxa de feminicídio cresceu quase três vezes mais do que os assassinatos de homens nos países da região onde o narcotráfico é mais intenso

Estudos recentes provam que a taxa de feminicídio cresceu quase três vezes mais do que os assassinatos de homens nos países da região onde o narcotráfico é mais intenso Por Natasha Pitts (Publicado por Adital) Organizações feministas da Argentina, Chile, Equador, Colômbia e Peru publicaram há poucos dias um pronunciamento para chamar atenção dos participantes da VI Cúpula das Américas, que acontecerá nos dias 14 e 15 de abril, em Cartagena das Índias, na Colômbia. Elas pedem a revisão da atual política antidrogas, medida que pode ajudar a reduzir a violência contra mulheres e meninas nas Américas. A demanda se baseia...

Estudos recentes provam que a taxa de feminicídio cresceu quase três vezes mais do que os assassinatos de homens nos países da região onde o narcotráfico é mais intenso

Por Natasha Pitts (Publicado por Adital)

Organizações feministas da Argentina, Chile, Equador, Colômbia e Peru publicaram há poucos dias um pronunciamento para chamar atenção dos participantes da VI Cúpula das Américas, que acontecerá nos dias 14 e 15 de abril, em Cartagena das Índias, na Colômbia. Elas pedem a revisão da atual política antidrogas, medida que pode ajudar a reduzir a violência contra mulheres e meninas nas Américas.

A demanda se baseia no fato de que a violência contra a mulher está apresentando índices cada vez mais altos, o que acontece no contexto da violência armada, que está diretamente ligada ao narcotráfico. Logo, acabar com esta violência passa pela necessidade de rever as políticas voltadas ao combate do tráfico de drogas.

Até o momento, apontam as organizações feministas, as políticas antidrogas não aboliram o tráfico de entorpecentes nem muito menos diminuíram seu consumo. O que se tem visto, na verdade, é o fortalecimento das organizações criminosas que cada vez mais se armam para defender seus interesses comerciais. Interesses estes que estão sendo protegidos por aliados importantes como políticos, militares e empresários, garantindo impunidade e lucro nos negócios.

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Segundo as ativistas, estudos recentes provam que a taxa de feminicídio cresceu quase três vezes mais do que os assassinatos de homens nos países da região onde o narcotráfico é mais intenso. Como se isso já não bastasse, as vítimas estão sofrendo cada vez mais, pois a crueldade dos feminicídios também se intensificou.

“Em contextos de alta violência, a crueldade contra as mulheres possui conotações simbólicas dentro dos grupos armados, que não mostram piedade com os corpos das mulheres. Mas também quem não pertence aos grupos armados, em contextos de alta violência, podem facilmente ter acesso a armas e fazer uso delas na esfera doméstica, contra as mulheres, e se beneficiam igualmente da débil situação dos sistemas de justiça e da consequente impunidade”, esclarecem.

Historicamente, as mulheres são mais afetadas durante os conflitos armados. Elas sofrem de maneira desproporcional os impactos da violência e das guerras, pois a discriminação que enfrentam desde sempre as torna mais vulneráveis. No contexto de conflitos e guerras, mulheres e meninas são tomadas como escravas domésticas e sexuais, já no contexto do narcotráfico são utilizadas para fazer o transporte da droga. Este trabalho de ‘mula’ fez com que crescesse consideravelmente o número de mulheres encarceradas por envolvimento com o tráfico de drogas.

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Diante disso, as organizações feministas pedem que dentro da Cúpula das Américas se possa criar um espaço de discussão que vá além dos fatores econômicos e dos conceitos restritos de segurança, para que se possa pensar em respostas concretas que se fundamentem em perspectivas de direitos humanos e de democracia.

“Frente à grave situação de violência armada em nossos países, que constitui um flagelo para nossas sociedades, para nossas instituições democráticas, e afeta de uma maneira especialmente grave às mulheres, é urgente uma discussão frontal da atual política de drogas e deter a proliferação de armas na região. A VI Cúpula das Américas é a oportunidade para que os Estados mostrem seu compromisso com os direitos humanos e em particular a vigência e garantia dos direitos humanos das mulheres na região, abrindo a necessária discussão sobre uma regulamentação do comércio legal de drogas. A revisão da atual política de controle de drogas é uma questão de direitos humanos e constitui, portanto, uma obrigação inevitável para os Estados democráticos”, encerram.

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