Nem todo o mundo da moda é só glamour, já sabemos disso.  Seja com a ditadura de modelos “magérrimas”, que ficam doentes quando passam a vestir de 36 para 38, seja de  pessoas que são “escravizadas” para produzir peças baratas que se tornam caríssimas ao chegar as lojas, nem tudo é brilho. Só que esses assuntos são apenas a ponta de um problema muito maior que temos que enfrentar.

Pode-se dizer que não é um assunto que está apenas na moda e sim um dilema que regerá nossas vidas se não melhorarmos nossos cuidados, e falo de nosso planeta. O vídeo abaixo mostra a campanha “DETOX”, que foi criada pelo Greenpeace. Ele serve para mostrar o que realmente é o backstage de cada passarela.

Nele se pode observar que não existe preparo nas fabricas asiáticas e como é grande o desrespeito com o planeta. E acredito que temos que ter consciência do caminho que cada roupa leva, do fio tecido em cada máquina até o nosso armário.

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Nas últimas semanas, Chip Bergh, CEO da Levi’s, fez um apelo para as pessoas pararem de lavar seus jeans. Questionado sobre a frequência exata com que se deve lavar o material, ele foi direto e chocou os maníacos por limpeza:

“Se você conversar com especialistas em tecido, eles vão te dizer para nunca lavá-los.” […] Sei que isso soa nojento, mas acredite, é possível. Você pode passar um pano úmido e colocar pra secar, e funciona. Nunca tive problema de pele, nem nada parecido. […] E além de ser uma maneira de economizar água e não prejudicar o meio com os químicos presentes no tecido.”
Em 2008, num estudo realizado pela marca sobre o ciclo de vida do seu principal produto, a empresa descobriu que metade da água consumida por ele é gasta na fabricação, enquanto que o restante vai por conta das inúmeras lavagens à maquina feitas pelos consumidores.

A Levi’s prometeu ser uma empresa-exemplo: reduzirá as substâncias tóxicas, pois aderiu à campanha DETOX. Além disso, criou a primeira coleção experimental com jeans totalmente sustentáveis.

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Só que toda essa historia não para aí. A importação está sempre presente e aumenta diariamente, junto à responsabilidade com o meio ambiente. Segundo a ABIT (associação brasileira da indústria têxtil), só nos últimos cinco anos as importações têxteis tiveram um crescimento de 455% no Brasil.

Os fatos que levaram a esse aumento são óbvios: além de fatores econômicos, as tecnologias que os chineses possuem estão entre as mais avançadas do mundo. Eles conseguem “operar milagres” com o poliéster – que é a matéria prima mais barata da indústria. Marcas que vão desde as lojinhas de esquina da sua rua, dos bandejões do Brás, em São Paulo, à grifes como a Animale, a Carlos Miele, a Farm e até a Burberry, importam tecidos chineses – e muitas delas até peças já prontas. Contudo, é importante questionar quais os tratamentos que levam cada tecido e como as empresas podem se responsabilizar pelos danos causados por essas fábricas asiáticas, principalmente as gigantes chinesas.

É óbvio que não conseguiremos parar de consumir, ainda mais dessas empresas, é praticamente impossível! Elas são responsáveis pela maioria das importações, infelizmente. Porém, só a consciência do que pagamos por esses produtos de poliéster já é um grande começo.  As marcas aproveitam do valor agregado às etiquetas e cobram absurdos, o que acarreta outro problema.

A queridíssima marca carioca Farm recentemente lançou uma coleção em parceria com a gigante Adidas, do seguimento esportivo. E essa coleção é um exemplo claro dessa desonestidade com seus clientes. A Farm, que cresceu e estabeleceu-se nos últimos anos como a principal marca feminina do Rio de Janeiro, possui atualmente uma quantidade considerável dos seus produtos fabricados inteiramente na China.

from textile industry in The Hangzhou Bay Area , China

A equipe de “criação” envia a modelagem e as estampas em arquivos digitalizados,  para ser tudo produzido em território chinês. São importados através de contêineres, a preço de banana. E ai entra o assunto das confecções. Será que podemos imaginar o quanto é repassado aos confeccionistas e aos consumidores? E sabe o que é pior? Muitos de nós compram não só por gostar da coleção, mas por serem artigos de luxo que imprimem status. Será que o planeta e nossa consciência não são preços altos demais a pagar?

Leia a Artigo Masculino, nossa coluna de moda, toda segunda em Os Entendidos.

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