Os Entendidos

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19 de agosto de 2014, 01h19

Shurato

“A Guerra Celestial de Shurato” – do japonês Tenkū Senki Shurato – ou simplesmente Shurato, é uma série de mangá criada em 1989 por Hiroshi Kawamoto e transformada em anime no mesmo ano pela Tatsunoko Productions, a mesma empresa de animação de Zillion, Macross e os famosos Evangelion e Speed Racer. Aqui no Brasil foi exibido pela extinta TV Manchete no começo dos anos 90 sem muito sucesso, mas […]

“A Guerra Celestial de Shurato” – do japonês Tenkū Senki Shurato – ou simplesmente Shurato, é uma série de mangá criada em 1989 por Hiroshi Kawamoto e transformada em anime no mesmo ano pela Tatsunoko Productions, a mesma empresa de animação de Zillion, Macross e os famosos Evangelion e Speed Racer.

Aqui no Brasil foi exibido pela extinta TV Manchete no começo dos anos 90 sem muito sucesso, mas com bastante notoriedade. Já no Japão o sucesso foi estrondoso, apesar de ser considerado uma cópia de Os Cavaleiros do Zodíaco por alguns. Ambos formam o estilo anime spirit,  que envolve armaduras e mitologias.

É bom falarmos que, ao contrário de Cavaleiros do Zodíaco, baseado na mitologia grega, Shurato se baseia na mitologia hindu com um pouco da “pegada” de alguns conceitos do budismo. Na cosmogonia budista, o cosmo se divide em seis mundos (rikudô). Se você se lembra da técnica do Shaka da Virgem – Rikudo Rin’ne, é uma ótima referência. Por entre esses seis mundos, há o Mundo dos Ashuras, utilizados no anime como os principais antagonistas e o Mundo dos Devas, seres divinos liderados por Indra, o deus do trovão, das tempestades e seu rei.

Já os deuses são retirados diretamente do panteão do hinduísmo: Shiva, um deus tanto criador quanto destruidor. O Deus da vitalidade masculina e o primeira yogue (ele foi o primeiro instrutor e praticante de yoga). A destruição promovida por Shiva é benéfica, pois promove a renovação do universo. No anime, foi apresentado como o vilão supremo. Brahma, é o deus criador, que sustenta a própria existência. De acordo com a mitologia hindu, vivemos dentro de seu sonho, divididos em eras e eras. Na série, morreu na batalha celestial há 10.000 anos, cuja busca por sua shakti (armadura) na segunda fase é vital na trama. E por último, Vishnu, deus protetor do universo, responsável pela sua manutenção. Seus avatares sempre vem ao mundo dos humanos quando há alguma forma de desequilíbrio à sua existência. No anime, é representado em forma feminina.

A animação obedece ao mangá ao mostrar as tentativas dos deuses de Asura em dominar o Mundo Celestial. O protagonista da série – Shurato – é trazido do mundo dos humanos para o campo de batalha pela deusa Vishnu, tornando-se um membro essencial dos Oito Guardiões do Povo de Deva. Daí, toda a trama se desenrola a partir do momento em que Indra trai o Povo Divino de Deva e lança uma maldição em Vishnu, transformando-a em pedra.

Naquela velha trama de “vamos salvar nossa deusa”, Shurato luta contra seu grande amigo Gai, que se revela um espião dos Ashuras e ganha importantes aliados como alguns dos oito Guardiões Divinos: Ryouma, Hyuuga e Reiga. Shurato ganha vários pontos por apresentar um personagem andrógino, que se destaca por sua força e participação na trama: Reiga, o Rei Karura. Afinal, pra quem viu a série, quem não se lembra de um guerreiro maquiado, de collant, que executava ataques com penas? Além disso, também se pode notar a forma assexualizada que Shiva, a grande e verdadeira vilã é retratada no anime, bem como a relação “brodagem” de Gai e Shurato.

Mesmo que tenha sido lançado “na onda” iniciada por Cavaleiros do Zodíaco, Shurato possui um final bem diferente e interessante para esse tipo de anime. A dublagem realizada é tida como um dos fatores do sucesso do anime no país, uma vez que permaneceu fiel ao original e ainda introduziu uma nova prática ao traduzir os créditos do original japonês para o português, o que foi seguido na dublagem de Yu Yu Hakusho e mais tarde na de Dragon Ball Z. 

No Japão, fez relativo sucesso, o qual inspirou até mesmo as meninas do estúdio CLAMP, quando elas criaram o mangá Guerreiras Mágicas de Rayearth. Elas também renderam uma segunda homenagem com um doujinshi de Shuratointitulado Tenku Senki Shurato Original Memory (Muma), em 1990.