Moleque sangue-bom. Filho da rua. Cria dos becos. Dos marginais, um irmão. Parça da vida. Aluno da fome. Terror das madames. Pivete infame. Suave crepon. Sorriso largo, vaidade parca. Sobrevivente nato. Garoto safo! Basta fumar um e já bate um som. Esse é o Dom John. O invisível príncipe marrom.

OPosto

Nunca soube como nasceu, de onde veio, quem foi seu pai e assim, cresceu. Só sabe que na distribuição dos méritos, se fudeu. Igual a um playboy: perdeu! Sem teto, nem escola, o castigo vem toda hora. Fardo que não mereceu. E quem merecia?! Alguém que só teve a miséria como sua única fiel companhia? Jamais conheceu a gentileza de um bom dia? Ainda assim, sorria como se não odiasse nada nem ninguém.

Menino sem norte e embora inimigo da sorte, acordava sem morte e ainda dizia amém. Afeto: zero. Vontade: 100.

Moleque sangue-bom. Filho da rua. Cria dos becos. Dos marginais, irmão. Parça da vida. Aluno da fome. Terror das madames. Pivete infame. Suave crepon. Sorriso largo, vaidade parca. Sobrevivente nato. Garoto safo! Basta fumar um e já bate um som. Esse é o Dom John. O invisível príncipe marrom.

Nunca soube como nasceu, de onde veio, quem foi seu pai e, assim, cresceu. Só sabe que na distribuição dos méritos se fudeu. Que nem playboy: perdeu! Sem teto, nem escola, o castigo vem toda hora. Fardo que não mereceu. E quem merecia?! Alguém que só teve a miséria como sua única fiel companhia? Que jamais conheceu a gentileza de um bom dia? Ainda assim ele sorria como se não odiasse nada nem ninguém.

Menino sem norte e embora inimigo da sorte, acordava sem morte e ainda dizia amém. Afeto: zero. Vontade: 100.

Por muito sonhou com materna atenção, do tipo que a madame desfila com seu esnobe cão. Que pode não ser gente, mas leva a vida de patrão. Com babá e barbeiro além de certa e farta ração. Mais fácil um dog ser adotado do que um garoto matreiro e sabão.

A verdade, porém, é que nunca foi fácil ser tratado com tanto desdém, passar à míngua sem vintém. “Não temos trocado”, pela fome devorado, apavorado e da primeira idade refém. Novo demais prum contrato e moço demais prum harém.

Numa noite escura de longa e abundante penúria, planejou o que roubar e de quem. Não queria fazer mal, disso sabia bem, mas o estômago insistia: e que outro jeito a gente tem?! “Se ficar sem trocado, nem vem! Dá teu jeito danado. Desculpinha é bem que nós não tem”.

Menino sem norte e embora inimigo da sorte, acordava sem morte e ainda dizia amém. Oportunidade: zero. Escolhas: 100.

Nunca fora mão leve, tampouco quis ser. Foi o único do bando que aprendeu a ler. Portanto, encontrar um jeito ele ia de ter. E de porta em porta, se dipos a bater. Asco, raiva e pavor foram as únicas respostas que encontrou. Até que da rua veio uma proposta de lavor. Ser dos mano, o oficial ledor. Das letras e números tradutor. Das tretas e espólios, escudeiro do feitor. Tudo por um mais-que-suficiente valor, além de teto, toalha e cobertor.

Do crime consorte, menino sem norte e embora inimigo da sorte, acordava sem morte e ainda dizia amém. Escolhas: zero. Problemas: 100.

Dos nove mais seis, na brisa chegaria aos 16. Quando ele teria que se decidir de vez. Entre o mundo da marginalidade e o da escassez, onde o pobre, é dos cacetetes freguês. Onde os verme tratam nego com democrática estupidez. Independente do seu grau de honradez. Porque a ordem escondida nas leis é a de que dignidade é como o xadrez. Peão só recebe quando perde a timidez, do contrário será condenado por sua malcriadez. Principalmente depois que se perde a meninez.

Rapaz mavorte, na vida se fez forte, pelo delito passaporte da miséria. Amém! Alternativa: zero. Amparo: Idem.

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