Os Entendidos

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Debater a diversidade com bom humor.

18 de Março de 2016, 00h14

Eu os Declaro Marido e… Larry

Sabe aquela máxima que de boas intenções o inferno está cheio? O longa dessa semana é um ótimo exemplo disso. Seguindo o mesmo estilo de todas as comédias do protagonista Adam Sandler, o enredo tenta tratar, de maneira um pouco menos séria, o preconceito aos homossexuais e o casamento igualitário. Será que ele conseguiu entregar […]

Sabe aquela máxima que de boas intenções o inferno está cheio? O longa dessa semana é um ótimo exemplo disso. Seguindo o mesmo estilo de todas as comédias do protagonista Adam Sandler, o enredo tenta tratar, de maneira um pouco menos séria, o preconceito aos homossexuais e o casamento igualitário. Será que ele conseguiu entregar um bom resultado? A Bonequinha Viu… essa semana: Eu os Declaro Marido e… Larry.

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Lançado há quase 10 anos atrás, mais precisamente em julho de 2007, nos apresenta os dois grandes amigos Chuck Levine (Adam Sandler) e Larry Valentine (Kevin James) que trabalham juntos no Corpo de Bombeiros do Brooklyn. Apesar da amizade, ambos são bem diferentes. Chuck só pensa em curtir, mas possui uma grande dívida com o amigo por ele ter salvado sua vida. Larry é mais centrado, mais família e preocupado com o futuro dos seus filhos, já que não consegue colocá-los como beneficiários do seu seguro de vida. Então Larry tem a brilhante ideia de pedir para que Larry seja seu parceiro, apenas na papelada, para que ele possa resolver a burocracia do seguro. O que ambos não contavam é de que um dos fiscais da receita ficaria de olho nas atividades diárias dos dois, fazendo com que, para que o plano possa dar certo, eles precisem convencer o fiscal de que são um casal apaixonado.

O filme consegue fazer as piores piadas possíveis com homossexuais, repleta de estereótipos e de gosto bastante duvidoso, sem a menor preocupação em estar ofendendo um grupo ou não. Para não parecer mais uma comédia pastelão preconceituosa o filme tenta inserir uma lição de moral ao final, mas isso não descarta nada que foi apresentado até então. Você é até capaz de rir de algumas piadas, mas o texto não consegue se sustentar, apelando para piadas prontas e um caminho mais fácil do que discutir um tema tão polêmico. Uma boa comédia não precisa se tornar um drama para falar de um tema delicado como o casamento igualitário, mas é preciso cuidado ao abordar esse tipo de assunto. Um filme que conseguiu isso foi Guerra de Casamentos (2006).

Diria até que o filme traz mais o conceito de amizade e daquilo que podemos enfrentar para ajudar um amigo do que entra no mérito de combate ao preconceito, como o personagem de Sandler tenta fazer ao final.

É preciso admitir que a produção foi feita para grandes públicos, para aquela galera que já gosta dos filmes do ator, mas de qualquer forma a culpa deve cair sobre  Alexander Payne, roteirista do filme que já foi vencedor do Oscar e que é responsável pela maioria dos diálogos e piadas prontas do enredo.

Nota1

Não há como defender algo tão ofensivo, mesmo para os moldes de uma comédia estereotipada. Há uma ponta de Lance Bass no filme, mas isso não significa que a cena também não seja homofóbica e depreciativa. Ainda bem que produções melhores foram surgindo com o tempo e mostrando que coisas assim só merecem ser mencionadas como mau exemplo.

O filme pode ser encontrado para aluguel e venda em DVD e cópia digital no iTunes.

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