Os Entendidos

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Debater a diversidade com bom humor.

19 de março de 2016, 00h05

Sandy e Júnior entre a dança e a conscientização social em “Dig Dig Joy”.

“Dig Dig Joy” foi o 6° álbum de carreira da dupla Sandy e Júnior lançado pela Universal Music em 1996. Produzido pelo pai Xororó, o disco lhes deu status de ídolos teen, fazendo a transição da música infantil para a música pop, adequando um repertório mais antenado à época para os irmãos que estavam em […]

“Dig Dig Joy” foi o 6° álbum de carreira da dupla Sandy e Júnior lançado pela Universal Music em 1996. Produzido pelo pai Xororó, o disco lhes deu status de ídolos teen, fazendo a transição da música infantil para a música pop, adequando um repertório mais antenado à época para os irmãos que estavam em plena fase de crescimento. Entre canções românticas, de teor social pelo bem das crianças sem lar e contra a devastação da natureza, “Dig Dig Joy” apontou guinada certa para a consagração absoluta de suas carreiras.

nossa senhora do comebackInicialmente, os irmãos focavam suas canções no gênero sertanejo mais regionalista, em modas de viola selecionadas pelo pai, Xororó e a mãe, Noely. Aos poucos, começaram a incluir versões em português de músicas famosas em inglês, dando um ar mais juvenil e moderno ao som da dupla. Era só ver qual era a música mais tocada nos rádios que rapidamente, ganhava versão cantada por eles, a exemplo do dueto “I’ll Be There”, resgate feito pela Mariah Carey em seu show acústico “MTV Unplugged” em 1992, em homenagem aos Jackson 5. Em 1994, no lançamento do disco “Pra Dançar Com Você”, Sandy e Júnior refizeram o feito e obtiveram sucesso na faixa “Com Você” (Xororó/Noely/Feio). Em Dig Dig Joy, aproveitando a popularização do gênero country no Brasil, “Any Man of Mine”, hit do álbum “The Woman In Me/1995” de Shania Twain foi incluída no repertório de “Dig Dig Joy”, sendo “Etc. E Tal” (Darcy Rossi) a faixa que abre o disco.

Superproteção – Por crescer aos olhos do público e ser o grande destaque, Sandy sempre teve maior atenção da mídia, a ponto de muitas especulações serem feitas sobre sua vida pessoal, principalmente amorosa. A cada entrevista concedida em programas de TV e em rádios, todos queriam saber quem Sandy namorava. Em diversos momentos, ela (que tinha apenas 14 anos) dizia estar focada em sua carreira e que não era a hora. As letras escritas para a dupla denotavam uma superproteção da família, com idealizações do par perfeito que atendesse a todos os seus caprichos, critérios e vontades, e que contasse, acima de tudo, com a aprovação do pai, visto em “Eu Vou Te Namorar”.

A imagem de boa moça passou a ser um exemplo para suas fãs mirins, para alívio dos pais que se viam em desespero quando as crianças não tiravam os olhos do ritmo frenético do grupo “É O Tchan” que estava em franca ascensão naquele ano de 1996. Era como se a figura da dupla trouxesse de volta para a criança fantasias do seu próprio cotidiano. E as coreografias não tinham nenhum apelo sexual, a exemplo da própria “Dig Dig Joy” (Feio/Zé Henrique) obrigatória nas festinhas para desafios entre amigos, atraindo compradores para o álbum que já saiu com disco de platina garantido pela demanda nas lojas.

Não Ter – Em 1995 algum problema deu para a apresentadora Angélica ter suspendido a divulgação da música “Se Foi” (versão para No C’é gravada em 1993 pela italiana Laura Pausini) que seria a faixa de trabalho do seu 8° álbum pela Sony Music. Sem explicações, “Se Foi” deixou de ser cantada no seu programa, sendo descartada para o seu disco que estava por vir. Angélica acabou apostando no funk melody. Se houve algum tipo de impedimento pela exclusividade do uso da canção, não se sabe. No entanto, os irmãos se saíram bem: “Não Ter” (Claudio Rabello) levantou os olhos de muita gente pela transição vocal da Sandy, que ganhara mais cor, fruto da maturidade que já se acentuava.

Seguindo a tradição de cantarem temas do “Criança Esperança”, Paulo Henrique e o onipresente Lincoln Olivetti compuseram “Quero Saber”, de cunho social, questionando desigualdades, com alerta para crianças desamparadas, momento em que o discurso festivo de “Dig Dig Joy” fica sério, se encerrando com a reflexiva “Cada Coisa Em Seu Lugar” (Alvaro Socci/Claudio Matta), chamando atenção para o desmatamento e para a devastação do meio ambiente. Ambas as canções trazem aos seus ouvintes a responsabilidade de zelar pela qualidade de vida de todos.

“Dig Dig Joy” gerou a turnê “Sonho Real”, lançada em VHS pela Polygram, onde revisitaram seus maiores sucessos, chegando a ser exibida como especial de fim de ano no canal Bandeirantes. O disco que completa 20 anos fez muita gente dançar, porém não deixou que ninguém se esquecesse de cumprir seus papéis de cidadão de forma consciente.